Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):
29: a guerra nietzscheana contra o átomo. Virando a página, o mais forte argumento contra a vida eterna.
47: no labirinto
54: “vontade de potência”
56: a máscara do espírito profundo
57: os filósofos do futuro
59: os mais abandonados e desprezados—os que mais teriam de ser ouvidos!
64: “Nós, homens do norte”
69: amaldiçoar o mundo; dizer sim ao círculo.
74: talvez o resumo de epicurista seja “aquele que encontra a beleza no sofrimento”
108: em defesa do clima tropical
111: dos escassos homens fortes nas civilizações tardias
119: a cilada do “empirismo”
121: sobre o fim (moderno) e o esvaziamento da filosofia
126-7: o tipo cético
131: continuação da II Intempestiva—para se livrar da Crítica
135: os predestinados
142: o pastiche
152: do gosto indefinível
155: um problema de nutrição!
178: Henry Bayle, “o último grande psicólogo da França”
189: mau e ruim; forte e insignificante; nas peças ficcionais, a predominância do tipo de antagonista que é contrário a tudo “humano” e que é invariavelmente possuidor de uma força notável; costumeiramente, é necessária a reunião de dois ou mais dos “fracos e bonzinhos” para poder detê-lo. E o mau sempre peca por subestimá-los. Pequena variante: o lado mau é desprovido das qualidades exigidas para chegar ao poder, então lança mão de artimanhas.
190: a opinião dos outros acerca de si!
201: o santo odeia o santo
210: Hobbes contra o riso
“falso, isto é, estóico”
“tudo o que é raro aos seres raros”
Talvez o livro em que Nietzsche está mais zombeteiro e em que mais destila seu talento de filólogo para desmontar todas as concepções. Jargões como “interpretação”, “psicologia do erro” e “texto/fato” (no sentido de que TEXTO seria o em-si, o absolutamente real, o imparcial longamente buscado; sendo INTERPRETAÇÃO a constatação de que só assim se apresenta cada TEXTO ou fragmento de texto, quando multifacetado) são notáveis.
Falta diferenciar o estóico do budista.
“Não é a força dos grandes sentimentos que faz os homens superiores, mas sua duração.”
“Em tempos de paz o homem belicoso ser ataca a si mesmo”
“A mulher aprende a odiar à medida que desaprende a fascinar.”
“É quando nosso orgulho acaba de ser ferido que é mais difícil ferir nossa vaidade.”
“Queres dispor alguém em teu favor? Finge-te embaraçado diante dele.”
“Quando o amor e o ódio não estão em jogo, a mulher joga de maneira medíocre.”
“As grandes épocas de nossa vida são aquelas em que temos a coragem de considerar o que é mau em nós como aquilo que temos de melhor.” Presente, o dom ferino da escrita—a acusação freqüente de que eu padeço da loucura genial, de um gênio louco.
“A vontade de superar uma paixão não é, em definitivo, senão a vontade de outra ou de muitas outras paixões.”
Ainda não vi um livro que continuasse—reafirmasse—essa idéia do BUDISMO EUROPEU. Por que não eu?
De novo a esperançosa Rússia, a “terra da vontade”!
“nova casta (…) O tempo da pequena política passou: o século que já se anuncia traz em sai luta pelo domínio do mundo(*)—e a obrigação da grande política” Algo saiu muito errado…
(*) a Guerra Fria não durou milhares de anos e não foi orquestração de uma nova casta. Martin e a transvaloração de todos os valores eslavos (???)
“Que importa a verdade para a mulher? Nada desde as origens é mais estranho, mais antipático, mais odioso para a mulher que a verdade. Sua grande arte é a mentira, seu negócio mais proeminente é a aparência e a beleza. Confessemos, nós homens honramos e amamos precisamente essa arte e esse instinto na mulher, nós que temos a tarefa difícil e que nos unimos de boa vontade, para nosso alívio, a seres cujas mãos, cujos olhares, cujas ternas loucuras fazem parecer quase como erros nossa seriedade, nossa profundidade (…) E não é verdade que, em termos gerais, ‘a mulher’ foi sobretudo pouco estimada pelas mulheres e não por nós?—Nós homens desejamos que a mulher não continue a comprometer-se com esclarecimentos. De fato, era dever do homem cuidar e dispor da mulher, quando a Igreja decretava: ‘Mulier taceat in ecclesia!’ [Que a mulher se cale na igreja]. Era para o bem das mulheres que Napoleão deu a entender à eloqüente Madame De Staël: ‘Mulier taceat in politicis!’—e eu creio que um verdadeiro amigo das mulheres é aquele que hoje conclama: ‘Mulier taceat de muliere’.”
“Gostaria de dizer que a democratização na Europa é ao mesmo tempo uma preparação involuntária para o surgimento de tiranos—palavra que deve ser entendida em todos os sentidos, mesmo naquele mais espiritual.”
“O vaidoso se alegra com todo bom conceito que se tem dele”
“nada dura até o depois de amanhã, uma só espécie de homens excetuada, os medíocres.”
SE O GÊNIO É UMA MÁQUINA, EU JÁ QUEBREI. 197: Da minha fragilidade e esterilidade. “os homens refinados e raros, mais difíceis de serem compreendidos, correm o risco de ficar sozinhos e, por causa de seu isolamento, sucumbem aos perigos e raramente se reproduzem.”
“a classe social já está quase determinada pelo grau de sofrimento que um homem pode suportar” Há espíritos livres e impudentes que gostariam de esconder e negar que têm o coração partido, mas orgulhosamente incurável e, às vezes, a própria loucura é uma máscara que esconde um saber fatal e demasiado seguro.”
“Certa impaciência e a consciência de ter sido sempre condenado à comédia (…) esse gênero de homem conhece a solidão e o que ela tem de mais venenoso.”
Anotações de cunho pessoal:
Quando tudo está na ponta dos cascos, é porque os cascos estão à beira do precipício.
A primeira galinha nasceu sem ovo.
Não entender um elogio é um grande insulto!
De 22 a 28 de fevereiro de 2010
