PAR|TIDO AO MEIO PELO (AM)ARG(OR) SARTREANO
COMO MORTO
Originalmente publicado em 4 de abril de 2012
Isto é vida? Então era isto que era a vida? Explodindo de dentro para fora, a olhos vistos, arregalados, inertes. Todo o formigamento e sensação messiânica, prólogos dormentes do ingente? Desperta-se com fúria de um medo alimentado pelo absurdo contrário ao esperado. Aquilo que não pode ser representado pelas forças do circuito da ipseidade tenta ser figurado, retratado em objeto—ah, se não lhe escapa! que trote!
Um livro enorme que assusta pelo aspecto e pela capa negro-azul: um tijolo de letras e espaços atômicos entre os núcleos. Falar com exemplos tão profanos, cotidianos, de algo tão sério! Fumar um cigarro, ir ao teatro ou a uma exposição
Amor Dirty(coti)Diana
e desvendar o segredo! Corrente ultrapassada, mocada.
termos técnicos o poder ilustrar às massas o carisma
EU & A RAIVA, A RAIVA & EU
Uma relação que pode explicar a luta que eu venho travando há anos—talvez uma tentativa de desquite! O mais arcaico e notável sobre esta “força” em minha biografia é que me causava um prazer extraordinário sentir raiva. Não havia alusão a estados de nervos frágeis, cujo ideal seria a aparição apenas em último caso. Não havia fadiga e ao invés de evitar tais situações eu as forçava. D.S. vem à minha cabeça. Contra mulheres de perfídia, enfurecer-se era o melhor remédio.
Foi então que meu pai revelou o que havia de ancestral em tal vontade: meus antepassados respondiam por mim, eu podia sentir o peso deles e ver meu destino traçado, cumulado, em suma, de uma missão, que era ser um instrumento, empregar meu potencial. Havia um parente remoto que meu pai conhecia somente através de lendas, suponho, que “domaria todos pelo pulso”, o Brabo. Senti auto-identificação imediata. Mesmo evocar uma lembrança ou uma história do tipo era inútil ou redundante, já que havia um exemplar vivo, muito mais acessível: o próprio interlocutor, meu pai. De gênio ruim, beirando a hidrofobia, quase sempre se lhe escapou o controle. Eu recebi esse baú de herança. A raiva era minha amiga. Mas depois de tanto abusarem do dom, os mortos que me desculpem: a teimosia se tornou maldição. Na era recente, sou expectador da luta interna entre meu atavismo selvagem, os doutores, a disciplina, a adaptação, a sobrevivência.
Descobri que a frieza glacial pode ser a melhor postura diante de uma realidade inclemente que exige certo retardo, soro e contemplação de seus elementos em conflito. Se me sinto confortável com a idéia de jamais influir em algum acontecimento—como fatalidade, na medida do possível—, entrar no estado de precipitação emocional que carrego nos genes seria como pedir o papel de ator principal! Evito a ação porque depois preciso arcar com as labirínticas conseqüências…
Nada objetivo que seja utópico: quero apenas que me apaguem as manchas intempestivas do meu princípio ativo.
* * *
Quer salvar o mundo e o dana
o cavaleiro
Deseja o epílogo e principia
um conto o mago do mal
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Quem perde uma, duas três vezes
está tão perto da vitória quanto
qualquer outro
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Quem acumula êxitos,
coitado,
não passa de enganado!
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Esperam o veredicto,
a medida provisória não convence
De La Mancha en biografía
Reino encantado no moinho
Sucessão, campanha alexandrina
ignomínia eternizada em estátua
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Vai rolar a festança
Dom Quixote e Sancho Pança
Leve sua lança
Até a masmorra
Estandartes de Senegal e Andorra
Tem que ter muita pachorra
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pra se negar a ir
gentis-homens ferir
e senhoras fazer ganir
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Com tua sabedoria, esvazias tua piscina e deságuas n’oceano
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Atrás de todo grande derribador de moinhos há sempre uma grande pança!
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Alegro sua culpa
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Se anjos não têm sexo, já sei que Lúcifer foi expulso do Paraíso porque era perigoso e tinha uma vagina!
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Nem gays devem gostar de pornôs de homem com homem!
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v(ida) Davi ganha
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Espero que tenha um belo .com você, gata de respeito!
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Uma convenção de loucos de todo o mundo. Eu seria o emissário de Brasília.
“Muitas vezes a presença da coisa amada perturba e emudece a intenção mais determinada e a língua mais atrevida.”
“A tal ponto o levaram os seus excomungados livros.”
Miguel de Cervantes
