[ARQUIVO] BAUDELAIRE POR I. JUNQUEIRA (CCXXIII—Spleen 47)

 

Originalmente publicado em 1º de agosto de 2013

Chegado é o tempo em que, vibrando o caule virgem,

Cada flor se evapora igual a um incensório;

Sons e perfumes pulsam no ar quase incorpóreo;

Melancólica valsa e lânguida vertigem!

*

Cada flor se evapora igual a um incensório;

Fremem violinos como fibras que se afligem;

Melancólica valsa e lânguida vertigem!

É triste e belo o céu como um grande oratório.

*

Fremem violinos como fibras que se afligem;

Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório!

É triste e belo o céu como um grande oratório;

O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem.

*

Almas ternas que odeiam o nada vasto e inglório

Recolhem do passado as ilusões que o fingem!

O sol se afoga em ondas que de sangue o tingem…

Fulge a tua lembrança em mim qual ostensório!

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