Originalmente publicado em 17 de julho de 2013
Tem sempre algo extraordinário sobre castelos, não acha?—especialmente para nós filhos da América que nunca vimos nem entramos num pessoalmente! Muita coisa de épico pode acontecer em mansões, cidades-fantasmas, densas florestas e pântanos que nem deixam passar a luz do sol pelas copas das árvores mais altas… Mas um castelo é a forma mais pura do terror. Um castelo é… um castelo—e vice-versa, como diria o filósofo. Os vários pórticos e infindáveis corredores (como que talhados não para gente, mas para gigantes) que se imbricam em labirintos que desafiam qualquer evolução da arquitetura e da engenharia, todos os “ecossistemas” abrigáveis numa só propriedade de alguns quilômetros quadrados, num só terreno, numa só dimensão, numa mesma propriedade e território… Bibliotecas menos visitadas mas contendo mais volumes do que as de grandes centros universitários, capitais e sedes mundiais da intelligentsia, salas de banquete com louça de cristal e jardins encantadores que coexistem sem constrangimento algum com câmaras de tortura úmidas e fétidas no extremo subsolo! É, o castelo é um mundo em si, que representa a ambigüidade do homem diante da natureza e todos os estratos sociais ao mesmo tempo.
Um sem-par de figuras mitológicas tem espaço dentro do castelo. E das mitologias antitéticas e díspares, diga-se de passagem. O Portal das Sombras é uma viagem traumática pela orla de gaiolas de aberrações, caldo cultural forte para quem não tem o estômago preparado, um coquetel de folclores de deixar ébrios contumazes no chão.
Ah, é tão duro, mas necessário, voltar à realidade!…
Sou mais poético do que verdadeiro, saberia Fernando Pessoa!
