[ARQUIVO] A ORIGEM DA FAMÍLIA, DA PROPRIEDADE E DO ESTADO

 

Originalmente publicado em 23 de abril de 2012

“se a estrita monogamia é o ápice da virtude, então a palma deve ser dada à tênia solitária que, em cada um dos seus 50 a 200 anéis, possui um aparelho sexual masculino e feminino completo, e passa a vida inteira coabitando consigo mesma em cada um desses anéis reprodutores.”

“a forma de casamento em que grupos inteiros de homens e grupos inteiros de mulheres pertencem-se mutuamente, deixando bem pouca margem para os ciúmes.”

“antes da invenção do incesto” “até o nascimento de um pimpolho” “família punaluana” matrimônio sindiásmico” Saturnais ocasionais em que o incesto voltava à tona.

“as mulheres babilônicas estavam obrigadas a entregar-se uma vez por ano, no templo de Milita” “disfarces religiosos” “Não tem pai, é filha da fortuna” “bus primae noctis” “direito da primeira noite” Só em 1486 esse direito do senhor feudal sobre a esposa do vassalo é abolido em Castela.

ORIGEM ROMANA: “Famulus quer dizer escravo doméstico e família é o conjunto dos escravos pertencentes a um mesmo homem.” “Quanto à vida em família no seio de tais comunidades familiares, deve-se ressaltar que, pelo menos na Rússia, os donos da casa têm fama de abusar muito de sua situação no que concerne às mulheres mais jovens da comunidade, principalmente suas noras, com as quais muitas vezes formam um harém; as canções populares russas são bastante eloqüentes a respeito.”

O Código de Napoleão sanciona a infidelidade masculina, desde que ela se realize fora de casa.

“Aristófanes fala de cães molossos para espantar adúlteros”

ENGELS NUNCA ENTENDEU O ESPÍRITO GREGO: “o envilecimento das mulheres refluiu sobre os próprios homens e também os envilece, levando-os às repugnantes práticas da pederastia e a desonrarem [!] seus deuses e a si próprios, pelo mito de Ganimedes.”

“o primeiro antagonismo de classes que apareceu na história coincide com o desenvolvimento do antagonismo entre o homem e a mulher, na monogamia”

Atenas: prostituição patrocinada pela comunidade/polis. Em Esparta as mulheres eram mais consideradas, mas o Ocidente é tipicamente “ateniense”.

“contra o adultério, como contra a morte, não há remédio que valha”

“guardar as aparências, o que está muito de acordo com a hipocrisia protestante”

Esse “aborrecimento mortal, sofrido em comum, e que se chama felicidade doméstica.”

“na novela alemã, o jovem consegue a moça; na novela francesa, o marido ganha um par de cornos.” “o clima de aborrecimento da novela alemã inspira aos leitores da burguesia francesa o mesmo horror que a ‘imoralidade’ da novela francesa inspira ao filisteu alemão”

O direito de deserdar a prole está ligado a poder ou não escolher o casamento para os filhos (se não tem um, vai precisar do outro).

“Na família, o homem é o burguês e a mulher representa o proletário.”


ELITISMO & SUBSERVIÊNCIA

Após meditar bastante acerca das minhas últimas leituras “feministas”, cheguei à conclusão de que para que eu viesse a pensar como penso, não adiantava mesmo ser de qualquer outro modo, totalmente rebaixado ou totalmente superior no plano social: classe média, “deficiente”, mas homem branco; bem como se eu fosse apenas mulher ou negro poderia me tornar um “Thomas”. Mas ser filho dum barão midiático ou ter facilidade para ganhar dinheiro me acomodariam cegamente. Torna-se uma tônica, uma aceitação, para mim, do status quo burguês atual ser homem, e ver que nasci e sou legitimamente superior à mulher. Devo suportar a “injustiça” como já faço ao reconhecer a “justiça” que me foi brindada, “ao acaso”.


* * *

“em 90% dos casos, o noivado prolongado é uma verdadeira escola preparatória para a infidelidade conjugal.”

“Antes da Idade Média não se pode dizer que existisse amor sexual individual.”

“no poema dos Nibelungos, Krimhilda, embora esteja secretamente apaixonada por Siegfried e este por ela, quando Gunther lhe anuncia que a prometeu a um cavaleiro cujo nome não diz, responde apenas: ‘Não me precisais suplicar, farei aquilo que me ordenais, estou disposta, senhor, de boa-vontade, a unir-me àquele que me dais por marido’.” Engels não deixa de ser extremamente ingênuo!

35: mais capítulos da birra Marx-Gladstone!

Gordas citações do melhor amigo.

Engels, não sei se desautorizando Marx nos Manuscritos, parece fazer o Homo oeconomicus nascer perto de Homero “A autoridade da aristocracia vai aumentando cada vez mais, até chegar a se tornar insuportável (…) Os principais meios para estrangular a liberdade comum foram o dinheiro e a usura [!].” “o sistema monetário que se desenvolvia penetrou, como um ácido corrosivo, na vida tradicional das antigas comunidades agrícolas” “os atenienses já tinham inventado a hipoteca” “o camponês devedor tinha que vender seus filhos nos mercados de escravos estrangeiros para satisfazer por completo o seu credor.” “Essa foi a aurora da formosa civilização do povo ateniense.” “Semelhante revolução…” “Os atenienses (…) deviam aprender (…) como (…) o produto vem a dominar o produtor.” “divisão do trabalho [!!!]” “o Estado se desenvolvia sem ser notado”—grosseirão!

Protecionistas militarizados, encarnação do mal! Ó!

“a reforma de Sólon” 594 a.C.

“Não foi a democracia que arruinou Atenas, como pretendem os lacaios pedantes dos monarcas do professorado europeu, e sim a escravidão—que proscrevia o trabalho do cidadão livre.”

DIREITO CELTA: “Os motivos pelos quais a mulher podia divorciar-se sem prejuízo dos seus direitos eram muitos e diversos: bastava que o marido tivesse mau hálito.”

Diz que na Idade Antiga a cidade dominava o campo. Talvez uma cidade rural!

Napoleão e Bismarck nivelados: joguetes e uma balança entre oprimidos e opressores.


GLOSSÁRIO:

hetera: puta

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