[ARQUIVO] O VAZIO QUE É MAIS REAL DO QUE O MOMENTO

 

Originalmente publicado em 11 de janeiro de 2013

A pressão absurda da ação imediata. A música é inimiga da preguiça e diante dela nosso maior arrependimento é não ter feito coisas o bastante. Ficar paralisado aprisionado soterrado se torna por 3 minutos a maior dor do universo. Desorientação como barata sem cabeça—para onde eu vou? O que devo começar agora para não perder para o tempo? Depois o aparelho a máquina desliga e voltamos ao estado anestesiado anterior. Aquelas metas foram aniquiladas não podem ser lembradas a pulverização do heroísmo. Meta utopia ridículas. O cigarro que precisa ser aceso, para fazer ode (elegia?) a um precioso momento irrepetível. O coração batendo mais forte—ela vai voltar. Os anos dourados, a lembrança cor de sépia acinzentado… desmancham com prazer com o sereno do silêncio. Se bem que permanece o zunido cósmico de fundo. Seria uma troca de estilos de poder ao invés da perda de poderes? Sabemos que a música é a onda que leva o homem até a crista máxima, o acme do movimentar, estar vivo, deixar a vida passar… É a projeção da perfeição poética, o sumo do desejável, o supra-homem, sem carne. Mas não é dizer que seja professora dum projeto possível, carnoso! O homem tem seus limites, e quaisquer que sejam os futuros, eu—como eu—não pertenço a eles. Para mim, para mim, o que é a música, senão epilepsia, trânsito momentâneo do caótico? Eu sou o miúdo profeta do silêncio. Nele eu ajo ou fico em crisálida, porque minúsculos e discretos como somos só precisamos de um canto para ficarmos quietos.

A bolha chamada momento é impiedosamente circundada pelos nões do vazio. Assim que se evade, o curso normal segue. Pode soar chato, mas o som não se propaga no vácuo…

Misérias antepassadas. Rascunhos maravilhosos. Implosões no meio da obra.

Não devem me enganar, essas sensações. Sigo trilhando o meu caminho. Frio, que é o melhor…

A tranqüilidade escura de uma quina de porão.

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