“O fascismo eterno foi uma conferência pronunciada em inglês num simpósio organizado pelos departamentos de Italiano e Francês da Columbia University em 25 de abril¹ de 1995, para celebrar a libertação da Europa. Foi publicada depois, em 22 de junho de 1995, na The New York Review of Books e traduzida para a Rivista dei Libri de julho-agosto do mesmo ano, como ‘Totalitarismo fuzzy e Ur-Fascismo’ (versão que só difere desta que publico aqui por alguns leves ajustes formais). Contudo, é importante lembrar que o texto foi pensado para um público de estudantes americanos e que a conferência ocorreu naqueles dias em que a América havia sido sacudida pelo atentado de Oklahoma e pela descoberta do fato (nem um pouco secreto, aliás) de que existiam organizações militares de extrema direita nos Estados Unidos” “Além disso, o fato do discurso ser dirigido a jovens americanos explica a presença de informações e esclarecimentos quase didáticos sobre acontecimentos que um leitor italiano conheceria, assim como citações de Roosevelt, alusões ao antifascismo americano e repetidas referências ao encontro entre europeus e americanos nos dias da libertação.”
¹ Boatos de que é o dia internacional de combate ao fascismo em honra a meu nascimento!
“Em 1942, aos 10 anos de idade, ganhei o primeiro prêmio nos Ludi Juveniles (um concurso com livre participação obrigatória para jovens fascistas italianos — vale dizer, para todos os jovens italianos). Tinha trabalhado com virtuosismo retórico sobre o tema: ‘Devemos morrer pela glória de Mussolini e pelo destino imortal da Itália?’ Minha resposta foi afirmativa. Eu era um garoto esperto.” Mais nobres que os bolsonaristas: aqui eles queriam sobreviver mil anos metralhando petralhas, em vez de “morrendo por sua causa”…
“Passei dois dos meus primeiros anos entre SS, fascistas e partigiani da Resistência, que atiravam uns contra os outros, e aprendi assim a esquivar-me das balas. Nada mal como exercício. § Em abril de 1945, a Resistência tomou Milão. Dois dias depois, os partigiani chegaram à pequena cidade em que eu vivia. Foi um momento de alegria.”
“Alguns dias depois vi os primeiros soldados americanos. Eram afro-americanos. O primeiro ianque que encontrei era um negro, Joseph, que me apresentou às delícias de Dick Tracy e Ferdinando Buscapé. Seus gibis eram coloridos e tinham um cheiro bom.”
“ganhei do capitão Muddy o meu primeiro chiclete e passei o dia inteiro mascando. De noite, colocava o chiclete em um copo d’água para que estivesse fresco no dia seguinte.” História muito parecida com a do Lula.
“Nos meses seguintes, descobri que a Resistência não era apenas um fenômeno local, mas europeu. Aprendi palavras novas e excitantes como réseau, maquis [bunker ou simplesmente porão], armée secrète, Rote Kapelle, ‘gueto de Varsóvia’. Vi as primeiras fotos do Holocausto e assim, antes mesmo de conhecer a palavra, conheci seu significado. Descobri que havíamos sido libertados.”
“Era motivo de orgulho saber que nós, europeus, não tínhamos esperado passivamente pela libertação. Creio que também não era irrelevante, para os jovens americanos que derramaram seu sangue pela nossa liberdade, saber que atrás das linhas havia europeus que já estavam pagando seu débito.” Nós também somos sobreviventes de um genocida, como diria o Professor José do Portal do José.
“Hoje, na Itália, tem gente que diz que a Resistência é um mito comunista. É verdade que os comunistas exploraram a Resistência como uma propriedade pessoal, pois realmente tiveram um papel primordial no movimento; mas lembro-me dos partigiani com bandeiras de diversas cores.”
“Franchi era o meu herói. Ele (cujo verdadeiro nome era Edgardo Sogno) era um monarquista tão anticomunista que, depois da guerra, se uniu a um grupo de extrema direita e foi acusado até de ter participado de um golpe de Estado reacionário. Mas que importa? Sogno ainda é o sonho da minha infância. A libertação foi um empreendimento comum de gente das mais diversas bandeiras.”
OS <CHEGA DE POLARIZAÇÃO> COMEDORES DE MASSA: “Hoje, na Itália, tem gente que diz que a guerra de libertação foi um trágico período de divisão, e que precisamos agora de uma reconciliação nacional. E que a lembrança daqueles anos terríveis deveria ser reprimida. Mas a repressão provoca neurose.” Terminando, à la mode, em pizza, com Supremo, com Centrão, com Rede Globo, com Silvio Berlusconi (vade retro!), com tudo!
“Posso até admitir que Eichmann acreditava sinceramente em sua missão, mas não posso dizer: ‘Ok, pode voltar e fazer tudo de novo.’”
ESTAMOS AQUI PARA RECORDAR O QUE ACONTECEU E PARA DECLARAR SOLENEMENTE QUE “ELES” NÃO PODEM REPETIR O QUE FIZERAM. MAS QUEM SÃO “ELES”?
“mesmo preocupado com os vários movimentos neonazistas ativos aqui e ali na Europa, inclusive na Rússia, não penso que o nazismo, em sua forma original, esteja ressurgindo como movimento capaz de mobilizar uma nação inteira.” Que sirva de lição que 20 anos mudam muita coisa!
“Existe, então, outro fantasma que ronda a Europa (sem falar das outras partes do mundo)? Ionesco disse certa feita que ‘somente as palavras contam, o resto é falatório’. Muitas vezes, os hábitos linguísticos são sintomas importantes de sentimentos não-expressos.”
“Quem reler Por quem os sinos dobram, de Hemingway, vai descobrir que Robert Jordan identifica seus inimigos como os fascistas, mesmo quando está pensando nos falangistas espanhóis.”
“Durante os anos de McCarthy, os americanos que tinham participado da Guerra Civil Espanhola eram chamados de ‘antifascistas prematuros’ — entendendo com isso que combater Hitler nos anos 1940 era um dever moral de todo bom americano, mas combater Franco cedo demais, nos anos 1930, era suspeito. Por que uma expressão como ‘fascist pig’ era usada pelos radicais americanos até para indicar um policial que não aprovava aquilo que eles costumavam fumar? Por que não diziam: ‘porco cagoulard’, ‘porco falangista’, ‘porco ustaše’, ‘porco Ante Pavelic’, ‘porco Quisling’, ‘porco nazista’?”
“Mein Kampf é o manifesto completo de um programa político. O nazismo tinha uma teoria do racismo e do arianismo, uma noção precisa da entartete Kunst, a ‘arte degenerada’”
O NOVO GOSPEL: A BANCADA DA BALA: “Ao contrário do que se pensa comumente, o fascismo italiano não tinha uma filosofia própria. O artigo sobre o fascismo assinado por Mussolini para a Enciclopédia Treccani foi escrito ou inspirou-se fundamentalmente em Giovanni Gentile, mas refletia uma noção hegeliana tardia do ‘Estado ético absoluto’, que Mussolini nunca realizou completamente. Mussolini não tinha qualquer filosofia: tinha apenas uma retórica. Começou como ateu militante, para em seguida assinar a concordata com a Igreja e confraternizar com os bispos que benziam os galhardetes fascistas.”

O artigo que só existe na cabeça desse tipo sui generis de esquizofrênico. Peço vênia para rebaixar o nobre status da doença esquizofrenia ao estabelecer a analogia!
CLOWNESCO: “Pode-se dizer que o fascismo italiano foi a primeira ditadura de direita que dominou um país europeu e que, em seguida, todos os movimentos análogos encontraram uma espécie de arquétipo comum no regime de Mussolini. O fascismo italiano foi o primeiro a criar uma liturgia militar, um folclore e até mesmo um modo de vestir — conseguindo mais sucesso no exterior que Armani, Benetton ou Versace. Foi somente nos anos 1930 que surgiram movimentos fascistas na Inglaterra, com Mosley, e na Letônia, Estônia, Lituânia, Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Grécia, Iugoslávia, Espanha, Portugal, Noruega e até na América do Sul, para não falar da Alemanha.”
O FASCISMO ITALIANO CONVENCEU MUITOS LÍDERES LIBERAIS EUROPEUS DE QUE O NOVO REGIME ESTAVA REALIZANDO INTERESSANTES REFORMAS SOCIAIS, CAPAZES DE FORNECER UMA ALTERNATIVA MODERADAMENTE REVOLUCIONÁRIA À AMEAÇA COMUNISTA.
“Contudo, a prioridade histórica não me parece ser razão suficiente para explicar por que a palavra ‘fascismo’ se transformou numa sinédoque, uma denominação pars pro toto [parte pelo todo] para os mais diversos movimentos totalitários. Não adianta dizer que o fascismo continha em si todos os elementos dos totalitarismos sucessivos ‘em estado quintessencial’, por assim dizer. Ao contrário, o fascismo não possuía nenhuma quintessência e nem sequer uma só essência. O fascismo era um totalitarismo fuzzy.(*)
(*) Usado atualmente em lógica para designar conjuntos ‘esfumados’, de contornos imprecisos, o termo fuzzy poderia ser traduzido como ‘confuso’, ‘impreciso’, ‘desfocado’.”


Imagens de esquerdaonline.com.br e wikipédia
A HISTÓRIA SE REPETE COMO FARSA – 2018-2022 d.C.: Santíssima Trindade dos anos malignos: King Nothing (Espírito Nefando, “d. Pedro III” que não quer desencarnar do mundo material, um representante da família real que se resignou a concorrer a cargo público numa democracia de massas); o Todo-Poderoso Pai da Mala-Cheia, que passava recibos de “condenações ao inferno” a todos os inimigos (e são muitos!), apesar de não ter nenhuma chave da transcendência; e a paródia do Messias da Juventude: assim como o bom discípulo de Jesus de Nazaré “largou tudo para peregrinar com o mestre”, Monarca, O Ancap, fugiu da escola e largou os estudos formais para viver de fake news e proselitismo da ignorância diante de um público-consumidor imbecilizado por anos de mídia sem regulação. Três eras se encontrando numa só: charretes representando o séc. XIX; o televangelismo (era analógica dos MCM); e o podcast sem freio moral (era digital).
É POSSÍVEL CONCEBER UM MOVIMENTO TOTALITÁRIO QUE CONSIGA REUNIR MONARQUIA E [CONTRA]REVOLUÇÃO, EXÉRCITO REAL E MILÍCIA PESSOAL DE MUSSOLINI [DE JAÍRES], OS PRIVILÉGIOS CONCEDIDOS À IGREJA E UMA EDUCAÇÃO ESTATAL QUE EXALTAVA A VIOLÊNCIA E O LIVRE MERCADO [+ ANARQUISMO E SISTEMA JUDICIÁRIO]?
O AGRO É A INQUISIÇÃO: “O partido fascista nasceu proclamando sua nova ordem revolucionária, mas era financiado pelos proprietários rurais mais conservadores, que esperavam uma contrarrevolução. O fascismo do começo era republicano e sobreviveu durante 20 anos proclamando sua lealdade à família real, [a diferença é que Orléans & Bragança XXI = SISTEMA BANCÁRIO] permitindo que um ‘duce’ [capitão terrorista] puxasse as cordinhas de um ‘rei’ [procuradores da realeza do Financismo: Paulo Guedes e Arthur Lira], a quem ofereceu até o título de ‘imperador’ [plenipotenciários no Executivo e no Legislativo].”
“Existiu apenas uma arquitetura nazista, apenas uma arte nazista. Se o arquiteto nazista era Albert Speer, não havia lugar para Mies van der Rohe. (…) Ao contrário, arquitetos fascistas certamente existiram, mas ao lado de seus pseudocoliseus surgiram também os novos edifícios inspirados no moderno racionalismo de Gropius.”
CRITÉRIOS IGUAIS PARA NOMEAÇÕES, AQUI E ACOLÁ (“Se odeias algo, toma conta!”): “Quando o fascismo se identificou com o Império Romano e redescobriu as tradições rurais, Marinetti (que proclamava que um automóvel era mais belo que a Vitória de Samotrácia¹ e queria até mesmo matar o luar) foi nomeado membro da Accademia d’Italia, que tinha pelo luar grande respeito.”
¹ Ponto mais vil da percepção estética do Homo sapiens.
“Gramsci foi mantido na prisão até a morte, Matteotti e os irmãos Rosselli foram assassinados, a liberdade de imprensa foi suspensa, os sindicatos desmantelados, os dissidentes políticos confinados em ilhas remotas, o Poder Legislativo se transformou em pura ficção e o Executivo (que controlava o Judiciário, assim como a mídia [nossa sorte foi isso não ter ocorrido por inteiro no Brasil]) promulgava diretamente as novas leis, [sem necessidade de saquear o Orçamento com o Bolsolão, p.ex.] entre as quais a da defesa da raça (apoio formal italiano ao Holocausto). [no nosso caso, o gado nelore que batia continência à bandeira americana, isso quando não havia completa e indisfarçada louvação à K.K.K. e ao Nazismo]”
OLAVISTAS X MILITARES X CENTRÃO NEOPENTECOSTAL: “A imagem incoerente que descrevi não era devido à tolerância: era um exemplo de desconjuntamento político e ideológico.”
“Acontece com a noção de ‘fascismo’ aquilo que, segundo Wittgenstein, acontece com a noção de ‘jogo’. Um jogo pode ser ou não competitivo, pode envolver uma ou mais pessoas, pode exigir alguma habilidade particular ou nenhuma, pode envolver dinheiro ou não. Os jogos são uma série de atividades diversas que apresentam apenas alguma ‘semelhança de família’.” Já haviam aparecido na exposição Deus e Pátria, faltava a perna manca da família patriarcal.

Descomplicada exposição teórica de como tudo pôde acontecer no Brasil: ODIAR O PT era a argamassa que “juntava todo o lumpenproletariado” assaz heterogêneo dos reacionários tupiniquins.
“Tirem do fascismo o imperialismo e teremos Franco ou Salazar; tirem o colonialismo e teremos o fascismo balcânico. Acrescentem ao fascismo italiano um anticapitalismo radical (que nunca fascinou Mussolini) e teremos Ezra Pound. Acrescentem o culto da mitologia celta e o misticismo do Graal (completamente estranho ao fascismo oficial) e teremos um dos mais respeitados gurus fascistas, Julius Evola.
A despeito dessa confusão, considero possível indicar uma lista de características típicas daquilo que eu gostaria de chamar de Ur-Fascismo, ou ‘fascismo eterno’. Tais características não podem ser reunidas em um sistema; muitas se contradizem entre si e são típicas de outras formas de despotismo ou fanatismo. Mas é suficiente que uma delas se apresente para fazer com que se forme uma nebulosa fascista.”
1. A primeira característica de um Ur-Fascismo é o culto da tradição. (…) É suficiente observar o ideário de qualquer movimento fascista para encontrar os principais pensadores tradicionalistas. A gnose nazista nutria-se de elementos tradicionalistas, sincretistas, ocultos. A mais importante fonte teórica da nova direita italiana, Julius Evola, misturava o Graal com os Protocolos dos Sábios de Sião, a alquimia com o Sacro Império Romano. O próprio fato de que, para demonstrar sua abertura mental, a direita italiana tenha recentemente ampliado seu ideário acrescentando De Maistre, Guénon e Gramsci é uma prova evidente de sincretismo. § Quem percorrer as prateleiras das livrarias americanas que trazem a indicação ‘New Age’ encontrará até mesmo Santo Agostinho, o qual, que eu saiba, não era fascista. Mas o próprio fato de juntar Santo Agostinho e Stonehenge, [monumento pré-histórico inglês: acabou virando ícone das bruxas ou religiões neo-pagãs do tipo wicca ou o revivalismo do druidismo] isto é um sintoma de Ur-Fascismo.
2. O tradicionalismo implica a recusa da modernidade. [TERRAPLANISMO, ANTI-ABORTO, ANTI-VACINA E PELA VOLTA DO CASAMENTO EM QUE SÓ O MARIDO PODE CHIFRAR A ESPOSA, DENTRE OUTRAS TENDÊNCIAS ARCANAS DEGENERADAS…] O iluminismo e a idade da razão eram vistos como o início da depravação moderna. Nesse sentido, o Ur-Fascismo pode ser definido como ‘irracionalismo’. [Esqueceram-se no entanto de que a cultura helênica, nossa Mãe, é homossexual e politeísta]
3. O irracionalismo depende também do culto da ação pela ação. A ação é bela em si e, portanto, deve ser realizada antes de e sem nenhuma reflexão. [BRAVATAS – COM DIREITO A RECUOS DE VOLTA PARA AS ‘4 LINHAS’ NO DIA SEGUINTE – DE PRESIDENTES CONTRA SEUS INIMIGOS – BASICAMENTE TODOS OS BRASILEIROS INTERESSADOS NO FUTURO – COM DIFICULDADE PALPÁVEL DE TRAQUEJO, EM PALANQUES ARTIFICIAIS (COM PÚBLICO COMPRADO); exposição de tanques de 1920 capazes de poluir a China inteira apenas passeando pela Esplanada dos Ministérios de Brasília como forma da autoglorificação das Forças Armadas; quebras de placas homenageando vereadoras pró-periferia na véspera de eleições, etc.]”
PENSAR É UMA FORMA DE CASTRAÇÃO. POR ISSO, A CULTURA É SUSPEITA NA MEDIDA EM QUE É IDENTIFICADA COM ATITUDES CRÍTICAS.
“‘As universidades são um ninho de comunistas’: a suspeita em relação ao mundo intelectual sempre foi um sintoma de Ur-Fascismo.”
“4. Nenhuma forma de sincretismo pode aceitar críticas. O espírito crítico opera distinções, e distinguir é um sinal de modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica percebe o desacordo como instrumento de avanço dos conhecimentos. Para o Ur-Fascismo, o desacordo é traição.” O lema da bandeira nacional sempre foi fascista: ordem e progresso. QUESTIONAR ou teorizar que sejam princípios contrários leva à forca.
5. O desacordo é, além disso, um sinal de diversidade. O Ur-Fascismo cresce e busca o consenso utilizando e exacerbando o natural medo da diferença. O primeiro apelo de um movimento fascista ou que está se tornando fascista é contra os intrusos. O Ur-Fascismo é, portanto, racista por definição.” E xenófobo (como Eco não esquecerá de colocar na seqüência): argentinos, venezuelanos, cubanos, chineses são inimigos mortais.
“6. O Ur-Fascismo provém da frustração individual ou social.” Empregos ruins, falta de amigos, ausência de oportunidades de transar…
“Isso explica por que uma das características típicas dos fascismos históricos tem sido o apelo às classes médias frustradas, [pleonasmo] desvalorizadas por alguma crise econômica ou humilhação política [ascensão do maior Partido Trabalhista do Cone-Sul], assustadas pela pressão dos grupos sociais subalternos. [direitos das empregadas domésticas, população freqüentando aeroportos e o sistema universitário…]”
“7. Para os que se veem privados de qualquer identidade social, o Ur-Fascismo diz que seu único privilégio é o mais comum de todos: ter nascido em um mesmo país.” “obsessão da conspiração” “os judeus são, em geral, o melhor objetivo porque oferecem a vantagem de estar, ao mesmo tempo, dentro e fora. [Daí que o sionismo seja uma forma velada de antissemitismo: que eles estejam apenas em SEU Estado; para isso seu Estado foi criado, para que a diáspora parasse de incomodar ‘cidadãos de bem’ nativos de outras partes!] Na América, o último exemplo de obsessão pela conspiração foi o livro The New World Order, de Pat Robertson.”
“8. Os adeptos devem sentir-se humilhados pela riqueza ostensiva e pela força do inimigo.” O poder nuclear de um pequeno país como a Coréia do Norte, para não dizer da ex-União Soviética; o gigantismo irrefreável – e, para aumentar a dor, capitalista – da China contemporânea. Inveja também do sistema educacional, da medicina e do esporte escolar e de elite cubanos.
“Quando eu era criança, ensinavam-me que os ingleses eram o ‘povo das 5 refeições’: comiam mais frequentemente que os italianos, pobres, mas sóbrios.” Curiosamente, a plataforma que reelegeu Lula foi garantir que o brasileiro voltaria a comer o número necessário de vezes por dia!
“Os judeus são ricos e ajudam-se uns aos outros graças a uma rede secreta de assistência mútua.” Basta trocar judeus por globalistas. Para quem vive em conspirações, deve ser fácil imaginar até uma conspiração sigilosa e onipresente de todas as mulheres contra os homens. Ou de todos os transexuais contra os ‘normais’, mesmo contra qualquer lógica ou plausibilidade (população feminina muito grande para manter uma sociedade secreta; minorias muito desarticuladas, pequenas e desprotegidas para estarem na ofensiva contra o próprio opressor).
“SEEEEEEEELVAAAAAAA!”: “Os adeptos precisam, contudo, ser convencidos de que podem derrotar o inimigo. Assim, graças a um contínuo deslocamento de registro retórico, os inimigos são, ao mesmo tempo, fortes demais e fracos demais. Os fascismos estão condenados a perder suas guerras,¹ pois são constitucionalmente incapazes de avaliar com objetividade a força do inimigo.” Dado importantíssimo.
¹ Nesse sentido, podemos chamar os Estados Unidos da América de belicamente fascistas desde a Guerra do Vietnã.
“9. Para o Ur-Fascismo, não há luta pela vida, mas antes ‘vida para a luta’. Logo, o pacifismo é conluio com o inimigo; o pacifismo é mau porque a vida é uma guerra permanente.” Preferem ir para a Ucrânia e morrer do que permanecerem num país tropical abençado por… Jeová que não!
SÓ MAIS 72h…: “Complexo de Armagedom: a partir do momento em que os inimigos podem e devem ser derrotados, tem que haver uma batalha final, depois da qual o movimento assumirá o controle do mundo.” E ‘do mundo’ neste caso nem sequer é exagero: havia grande fé na imponderável volta de Donald Trump, ‘o amiguinho’ internacional.
“Esta solução final implica uma sucessiva era de paz, uma idade de ouro que contestaria o princípio da guerra permanente. Nenhum líder fascista conseguiu resolver essa contradição.” Muito se objeta a doutrina comunista não esclarecer o período da superação das contradições, autodissolução do Estado burguês e fim das classes, mas pouco se analisa este defeito da extrema direita no espelho. Síndrome de Constantino (do foragido, não do imperador).
“10. O elitismo é um aspecto típico de qualquer ideologia reacionária, enquanto fundamentalmente aristocrática.” Até as ralés são capazes de elitismo.
“Todos os cidadãos pertencem ao melhor povo do mundo, os membros do partido são os melhores cidadãos, todo cidadão pode (ou deve) tornar-se membro do partido.” Ou ter uma arma.
“qualquer líder subordinado despreza seus subalternos e, por sua vez, cada um deles despreza os seus subordinados. Tudo isso reforça o sentido de elitismo de massa.” Protagonismo do AJUDANTE-DE-ORDENS. Ninguém é o último vassalo: há sempre alguém inferior.

“11. Nesta perspectiva, cada um é educado para tornar-se um herói.” O maluco Ivan Rejane.
“Este culto do heroísmo é estreitamente ligado ao culto da morte: não é por acaso que o mote dos falangistas era: ‘!Viva la muerte!’” “O herói Ur-Fascista espera impacientemente pela morte. Note-se, porém, que sua impaciência provoca com maior frequência a morte dos outros.”






Com tamanha obsessão por sexo anal, sexo homoafetivo e, em geral entre os bolsonaristas, estupros de vulneráveis em idade na qual ainda não ovulam, é difícil imaginar como Olavo de Carvalho conseguiu gerar prole, inclusive uma “fraquejada” (palavras de seu maior fã).
“12. Como tanto a guerra permanente quanto o heroísmo são jogos difíceis de jogar, o Ur-Fascista transfere sua vontade de poder para questões sexuais. Esta é a origem de seu machismo (que implica desdém pelas mulheres e uma condenação intolerante de hábitos sexuais não-conformistas)” “Como o sexo também é um jogo difícil de jogar, o herói Ur-Fascista joga com as armas, que são seu Ersatz fálico: seus jogos de guerra se devem a uma invidia penis permanente.” Também é a origem secreta do racismo.

Muita vontade de se engajar em discussões, porém muito pouca paciência e energia para as mesmas: qualquer jogo é “complicado” para fracassados natos. Imagem: reddit.
“13. O Ur-Fascismo baseia-se em um ‘populismo qualitativo’. Em uma democracia, os cidadãos gozam de direitos individuais, mas o conjunto de cidadãos só é dotado de impacto político do ponto de vista quantitativo (as decisões da maioria são acatadas). [Daí a ojeriza às eleições, misturadas com conspirações de fraude de escala global e descrédito de qualquer estatística como mortes pela Covid.] Para o Ur-Fascismo, os indivíduos enquanto indivíduos não têm direitos, e ‘o povo’ é concebido como uma qualidade, uma entidade monolítica que exprime ‘a vontade comum’.” Quando o indivíduo, cadastro de pessoa física, finalmente acossado pela polícia do regime democrático posteriormente reinstalado devido a seu rol de crimes, percebe que não é o povo, seu isolamento é ainda mais funesto (costumeiramente na cadeia, i.e., isolamento tanto metafórico quanto literal).
“Como nenhuma quantidade de seres humanos pode ter uma vontade comum, o líder se apresenta como seu intérprete.” Um idiota tartamudo representando a falta de qualquer mensagem clara: faz sentido.
“Em virtude de seu populismo qualitativo, o Ur-Fascismo deve opor-se aos ‘pútridos’ governos parlamentares.”
“14. (…) Todos os textos escolares nazistas ou fascistas se baseavam em um léxico pobre e em uma sintaxe elementar, com o fim de limitar os instrumentos para um raciocínio complexo e crítico.” Fim da enumeração. O bolsonarismo se sagrou campeão, com 14/14 pontos possíveis!
“Seria muito confortável para nós se alguém surgisse na boca de cena do mundo para dizer: ‘Quero reabrir Auschwitz, quero que os camisas-negras desfilem outra vez pelas praças italianas!’ Infelizmente, a vida não é fácil assim! O Ur-Fascismo pode voltar sob as vestes mais inocentes. [Por R$0,20, por exemplo.]” Neonazismo: não precisarão reabrir Auschwitz, porque Auschwitz “nunca existiu” conforme a ‘confiável’ historiografia da borracha nazi. No sul do país a saudação nazista, em muitos locais, tem a mesma aceitação de um ‘olá’. Tem-se confiança na impunidade ou forte crença em que Deus não deixará ‘comunistas’ punirem ‘pessoas de bem, seguidoras de tradições (de menos de 100 anos de idade)’, mesmo no ‘regime inimigo’ (democracia do Estado de Direito).
“Ouso dizer que, se a democracia americana parasse de progredir como uma força viva, buscando dia e noite melhorar, por meios pacíficos, as condições de nossos cidadãos, a força do fascismo cresceria em nosso país”
Roosevelt – Pax americana como a teoria da conspiração mais doidivanas de todos os tempos.

A “praça” é nossa (do povo), mas desde 2013 ela vinha sendo ocupada por rematados idiotas.

Praxódia Branca dos Olhos Vermelhos, famosa carta subversiva do clandestino jogo de cards Yu-Gi-Oh!, proibido em 177 países.¹
¹ ATENÇÃO: Aviso de ironia.

Fonte: terra.com.br
Os porcos confundiram “suíça” com “suína” e tentaram dar no pé, mas foram interceptados a tempo pelos revolucionários, em tempos de reocupação da praça pública, liberação e regresso da paz.
