[ARQUIVO] HUMANO, DEMASIADO HUMANO

Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):

43: da sensação do erro

48: como Marx termina como o principal formulador do capitalismo tardio

49: Erasmo de Roterdã

61: o superanimal

107: Ésquilo e Aristófanes

128: “[a arte] transforma os animais em homens”; a Nona de Beethoven

130: os sofrimentos do artista; o cômico e o trágico; o jogo e a leveza, a frustração e a solidão.

138: do intermediário entre o público e o artista; do espectador.

139: a diferença minúscula entre honra, vaidade e orgulho

154: genealogia técnica do heavy metal (captar “o lado feio do mundo”). Por isso os beatniks são tão musicais. Antecipação de Baudrillard.

159: curso em pós-modernidade

161: o “eterno permanente”

165: definição de “espírito livre”

174: humor na pós-modernidade

175: aforismo 241

178 (247): Planeta dos Macacos

179: o difícil “turning point”

182: do filósofo arrependido

184: da pederastia na Grécia

187: o problema da efemeridade da civilização grega, a falta de dados e documentos

190: primeiras pistas sobre a Ásua; N. e o ensino médio

195: fase cínica, fase epicuréia

199: “quem não tiver para si dois terços de seu dia é um escravo”

200: nazismo

203: índices para o ineditismo do futuro

220: ironia, o “cão mordedor”

222: “GLÓRIA PÓSTUMA”

225: complexo de Édipo

235: por que todo pai menospreza o talento dos filhos

236: o séc. XX do feminismo

245: o socialismo como meio; Guerra Fria.

246: os barões da mídia

248: a diferença entre o socialista de baixo e o socialista de cima

250: pela escravidão; Diógenes, o Chaves da Antiguidade.

257: Europa pendular, século XXI

258: a morte do Estado

259: do novo XVIII Brumário

261: escombros da União Européia; questão judaica. O semita está incluído no projeto da Europa mista.

262: e os judeus salvaram a Europa feudal de ser engolfada pela expansionista Ásia

265: “A GRANDE POLÍTICA”

293: “nosso eu superior”

294: sobre a facilidade que temos em mistificar nosso tédio


“raramente se encontra na Europa o erudito que tenha lido La Rochefoucauld.”

“A paixão não quer esperar; na vida de grandes homens o trágico reside muitas vezes não em seu conflito com a época e com a baixeza de seus contemporâneos, mas na incapacidade deles de adiar sua obra por um ano, por dois anos; não sabem esperar.”

“Todo homem que decidiu que o outro é um imbecil, um mau companheiro, se irrita quando o outro finalmente mostra que não o é.”

“acaba por se produzir um violento antagonismo entre o artista e as pessoas da mesma idade de sua época”

“Quando a arte se apodera violentamente de um indivíduo, leva-o a concepções de épocas em que a arte florescia com mais vigor, exercendo, portanto, uma influência retrógrada.”

COMO SER UM ROMANCEUR: Um craque do futebol não nasce sem os fundamentos—ou explode e depois desaparece. Qualquer verossimilhança com o caso de escritores como J.K. Rowling não é mera coincidência!

“Faça-se, portanto, cem ou mais projetos de novelas, nenhum com mais de duas páginas, mas de uma clareza tal que neles cada palavra seja indispensável; (…) que se seja infatigável em recolher e descrever tipos e caracteres humanos” “Nesse múltiplo exercício, que se deixe passar uns dez anos” “Como faz, porém, a maioria? Eles não começam pela parte, mas pelo todo. Talvez um dia tenham um lance feliz, chamem a atenção e, a partir de então, farão lances cada vez piores, por razões bem naturais.”

“E, a longo prazo, todo instinto é mesmo fortalecido pelo exercício de sua satisfação, apesar desses períodos de calmaria. Seria possível que o medo e a compaixão fossem, em cada caso particular, mitigados e aliviados por meio da tragédia: não obstante, poderiam enfim tornar-se geralmente mais fortes por causa da influência trágica e Platão, apesar de tudo, teria razão ao pensar que, por meio da tragédia, a gente se torna geralmente mais temeroso [medroso ou temerário?] e mais impressionado. O próprio poeta trágico adquiriria então, necessariamente, uma visão lúgubre e assustadora do mundo e uma alma terna, excitável, ávida de lágrimas, de tal modo que corresponderia à opinião de Platão, se os autores trágicos e igualmente cidades inteiras, que os apreciam, regredissem a um nível em que a falta de medida e de freio é sempre maior.”

“hoje são contados entre as exceções os ouvidos que ainda fazem as distinções mais refinadas, p.ex. entre dó sustenido e ré bemol.”

“O homem de ciências é uma forma ulterior do artista.”

“Chama-se ‘espírito livre’ aquele que pensa de forma diferente do que se espera dele, em virtude de sua origem, de seu meio, de sua posição e de seu ofício, ou em virtude dos pontos de vista dominantes de sua época.”

“Quanto mais alguém compreende profundamente a vida, tanto menos zombará, salvo se terminar por zombar da ‘profundidade de sua compreensão’.”

CONHECIMENTO COMO PRAZER. O MAL DE PENÉLOPE: “de novo, a humanidade terá de recomeçar a tecer seu tecido, depois de tê-lo, como Penélope, destruído durante a noite. Mas quem nos garante que ela voltará sempre a encontrar forças para isso?” “graças a um conhecimento novo, por menor que seja, nos sentimos superiores a todos e como os únicos que, nesse ponto, sabem o que está certo.”

“Os dois povos que produziram os maiores estilistas, os gregos e os franceses, não aprendiam línguas estrangeiras” Quantas línguas o próprio Nietzsche falava? “Nietzsche falava fluentemente alemão e francês, e também tinha um bom conhecimento de grego e latim, o que lhe permitiu ler os filósofos clássicos em seus idiomas originais. Ele também tinha algum conhecimento de inglês, mas não era fluente na língua.”

“AVALIAÇÃO MUITO BAIXA DO ENSINO COLEGIAL (…) Raramente se busca o valor da escola secundária nas coisas que nela realmente se aprendem e se acumulam sem poder perdê-las, mas antes naquelas que nela se ensinam e que o aluno só absorve contrariado, para se livrar delas logo que puder e de uma só vez. (…) A leitura dos clássicos—isso qualquer pessoa culta o reconhece—tal como é praticada em toda parte, é um procedimento monstruoso: feita diante de jovens que de modo algum têm maturidade para isso, por professores que com cada palavra, muitas vezes com sua presença, já põem uma colher de poeira sobre um bom autor. (…) é que em sua linguagem surgem continuamente conceitos, expressões, métodos, alusões, que os jovens quase nunca ouvem na conversa com seus pais e na rua.”

“o homem ocioso é sempre um homem melhor que o de ação.”

“[o espírito-livre] conhece também os dias de trabalho e de falta de liberdade, da dependência, da servidão. Mas, de tempos em tempos, é preciso que lhe apareça um domingo de liberdade, senão não suportará a vida.”

“Deve confiar que o gênio da justiça dirá alguma coisa em favor de seu discípulo e protegido, se vozes acusadoras vierem a chamá-lo de pobre de amor.”

“Em todo partido, há um homem que, ao professar com demasiada fé os princípios do partido, incita os outros a desertar.”

“os doentes irritadiços e orgulhosos odeiam muito mais os conselheiros que sua doença”

“Para ganhar as pessoas inteligentes a uma proposição, basta muitas vezes apresenta-la sob a forma de um paradoxo monstruoso.”

OS TRAFICANTES (Burroughs): “Um meio seguro de irritar as pessoas e de colocar em sua cabeça maus pensamentos é fazê-las esperar muito tempo. Isso se torna imoral.”

“Quem não sabe colocar suas idéias no gelo não deve se empenhar no calor da discussão.”

“Os jovens são arrogantes porque freqüentam seus semelhantes que, todos eles, não sendo nada, gostam de fazer-se passar por muita coisa.”

“Aquele que não escreve livros, pensa muito e vive numa sociedade que não o satisfaz, poderá em geral ser um bom escritor de cartas.”

“Se houver dificuldade para encontrar um assunto de conversa, há pouca gente que deixará de revelar os segredos mais importantes do amigo.”

“Por que sentimos remorsos depois de termos ficado em companhias vulgares?”

“[o socialismo] não pode ter esperança de uma existência futura senão durante curtos períodos, aqui e acolá, graças ao mais extremo terrorismo.” “O socialismo pode servir para ensinar de modo brutal e convincente o perigo de todas as acumulações de poder do Estado e, nesse sentido, insinuar uma desconfiança para com o próprio Estado. § Quando sua voz rouca se misturar com o grito de guerra <O mais possível de Estado>, esse grito se tornará primeiramente mais barulhento que nunca, mas logo eclodirá com não menos força o grito oposto: <O menos possível de Estado>.” O contrário também pode ser dito.

“Quem vive combatendo um inimigo tem interesse em deixá-lo viver.”

“A imaginação da inquietude é esse gnomo malvado com aparência de macaco que ainda salta nas costas do homem, precisamente quando tem já outras coisas a carregar.” “A falta de escrúpulos no pensamento é muitas vezes sinal de uma disposição interior inquieta que procura se atormentar.”

“Quando um homem pensa muito e prudentemente, não é somente seu rosto, mas também seu corpo, que toma um ar de prudência.”

“Quando o homem explode em gargalhadas, ultrapassa todos os animais por sua vulgaridade.”

“Com um talento a mais, a gente está numa situação menos segura do que com um talento a menos.”

“É preciso ter nascido para seu médico, caso contrário se perece por seu médico.”

O homem da meia-noite é o viajante que não pôde entrar na cidade e passa a noite enregelado no deserto.


Anotações de cunho pessoal:

Estou no meio da desconstrução de velhos afetos. O nome deles, como abrangente de todo o mundo ocidental acessível a mim: Eline.

P. 132: Uma coisa que me perguntei severas vezes, principalmente com respeito a Dostoievsky (diferentemente do cinema, em que muitos sofrem o encargo), que é a “totalidade da personagem”: como é possível sair um mundo, vidas inteiras, unidades fidedignas, da cabeça de um demiurgo-escritor? Mas eis N.: pura ilusão, hipérbole! E aquela frase “não há uma única exegese de um texto” reforça o atestado.

P. 172: Essencialmente, temos aqui absolutamente TUDO o que concerne ao debate ESTRUTURA X HISTÓRIA, Lévi-Strauss vs. pós-construtivistas. Toda a reedição de Parmênides e seu 8 ou 80 e Heráclito e seu “incaptável” que perdura. Escapamos da metafísica por um tempo—e diz N.: isso é um progresso. Outra vez remexem-se os pauzinhos nos bastidores… As reelaborações, no entanto, são menos matizadas e sufocantes que no modernismo. É como o conserto da corrente de uma bicicleta enganchada na roda… AGORA vai andar. Antes não adiantava, o ciclista levava um tombo.

Af. 534: para Adriana


De 15 a 22 de fevereiro de 2009

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