[ARQUIVO] O TEMPO DAS TRIBOS — Michel Maffesoli

 

Originalmente publicado em 12 de setembro de 2011

…O homem pensa que retira todas as possibilidades de vitória da mulher e sai-se rindo. Ela também ri, amargamente, e se joga da cobertura do prédio. Cai em uma varanda, do andar inferior, sendo fortíssimo o impacto…

* * *

…Eu voltava a estar nos pátios e vegetações do colégio militar numa espécie de reconciliação—fazíamos esquerda e direita-volver como se não houvesse amanhã. Tinha uma conversa amistosa com um tenente-coronel gordo e bonachão…

* * *

…Pago um ingresso de cinema: é um filme de animação infantil. Não entro na sala de exibição, apenas fico do lado de fora catando docinhos nas estantes (desses de chocolate e coco das festinhas)…


“Essa é a ambição deste livro. Sociologia sonhadora!”

“cada época repete, de maneira aguda, múltiplas variações em torno de alguns temas notórios.”

“O individualismo é um bunker obsoleto” “a astrologia, em particular, não pode mais ser considerada um assunto de mocinhas sonhadoras.” Antigamente a astrologia cuidava do destino da cidade. “dar calor humano”, dar colo, “cerrar fileiras”, “corrente para frente”… “Viver sua morte quotidiana”

Os franceses e o fascínio pelo Minitel, protointernet.

Hölderlin e Nietzsche: “É também na solidão do atalho de Eze, que este outro ‘louco’ sofreu a irrupção dionisíaca.”

Bouglé, que defende o retorno das castas.

“O catastrofismo vigente permanece, de fato, muito dialético (hegeliano), muito linear (positivista), e, ainda por cima, cristão (parusia), para conseguir apreciar as múltiplas explosões de vitalismo que caracterizam todos esses grupos ou ‘tribos’ em fermentação constante, que se encarregam, de um modo o mais imediato, dos múltiplos aspectos de sua existência coletiva. Trata-se do politeísmo. Mas isso, como freqüentemente ocorre, os intelectuais, e mais precisamente os sociólogos, só compreenderão post festum!”

“Se na tradição psicanalítica cito Groddeck, é (…) que ele se baseia em Nietzsche, cuja atualidade ainda não foi totalmente explorada”

“já sabemos, desde Durkheim, que a efervescência é o indício seguro daquilo que é prospectivo, daquilo que é chamado a durar, talvez mesmo a se institucionalizar.” Falando em Durkheim, o presente autor oferece leis sociológicas, para quem diz que isso é impossível ou impraticável.

64: Durkheim e sua obsessão pela solidariedade; o anacronismo do modelo ambivalente.

122: Maffesoli e sua sugestão—o ideal seria INVERTER solidariedade orgânica e solidariedade MECÂNICA uma pela outra! Era fluido e ficou rijo…

34: a volta do Tao

36: sobre o “ressurgimento do religioso”

43: da utilidade do diabo

“Os membros das classes populares são desde sempre os epicuristas da vida cotidiana.”

PODER: exercer dominação e controle sobre outros

=/=

POTÊNCIA: sobreviver (O escravo, o fraco, o submerso sempre exercem potência… A passividade consciente e inteligente é esse exercício.)

“Fim da política” não significa “império do indivíduo”, mas o contrário.

Se entrosa bem com os três clássicos. É de nomes assim que preciso.

56: habitus de Mauss, que quer dizer a mesma coisa do habitus do “original” Bourdieu

“Eu não pretendo participar desse sarapatel moral que atualmente está no rigor da moda.”

Anarquia não é precisamente o descontrole, o caos e a ausência ou supressão de regras, mas a organização sem-Estado.

OTIMISMO: “a justa vingança dos valores do sul contra os do norte.”

78: sobre a segmentação de classes nas praias brasileiras

Proletariado: realidade-unidade efêmera do XIX; a multiplicidade sempre vence.

“Podemos observar, com efeito, que, com o auxílio da microinformática, essas formas de associação em vias de extensão que são as redes (o neotribalismo contemporâneo) se apóiam na integração e na recusa afetiva. Este paradoxo, signo patente de vitalidade, é, em todo caso, uma chave das mais úteis para qualquer procedimento compreensivo.”

“Dionísio, deus (semi-deus?) tardio, perturba o helenismo clássico, mas permite que ocorra a eclosão do helenismo.” “a civilização enlanguescente necessita dos bárbaros para regenerá-la.” Recorre muito a exemplos místico-dionisíacos bobinhos do Brasil, quando sente mais necessidade de suprir lacunas empíricas em sua tese.

“Je suis son Homme”—juramento do vassalo no ato de posse.


GLOSSÁRIO:

acaciano: sujeito afetado, grave, porém desprovido de conteúdo

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