4ª CONSIDERAÇÃO INTEMPESTIVA: WAGNER EM BAYREUTH
Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):
92: a recorrente puxada de orelha nos alemães e seus estudos históricos
93: a orientalização do mundo, desde Alexandre
98: o problema da arte como única justificativa para a vida
100: a linguagem universal
110: da transição de um talento a outro: Wagner, Goethe, Schiller—da expressão escrita à oral/musical?
112: da árvore que finca raízes; Zaratustra.
126: as músicas de Wagner são versadas
129: as diversas sensações suscitadas no ouvinte pelo desenvolvimento das técnicas musicais
130: para entender Beethoven
131: Wagner e Heráclito
Já não acreditava mais no que escrevia? Última homenagem terna?
“Em toda parte o homem só encontra sua insuficiência pessoal, sua impotência total ou parcial. Que coragem teria para combater se não tivesse recebido previamente a consagração de uma causa que ultrapassa sua personalidade?” “nossa tríplice insuficiência”—“Não podemos estar felizes”; “não podemos ser morais”; “não podemos até mesmo ser sábios” “a arte é a atividade do homem em repouso”, isso quer dizer: “A arte não é o mestre e o mentor da atividade concreta”—porque somos como somos e as personagens não ditam nosso comportamento. Mas adoramos ser múltiplos.
Arte como mapa da vida, a vida como o JOGO DOS JOGOS: “a grandeza e o valor insubstituível da arte consistem precisamente no fato de que evoca a aparência de um mundo mais simples, de uma solução mais rápida para os enigmas da vida. Aquele que a vida fere não pode prescindir dessa aparência, como não pode prescindir do sono.” …AND JUSTICE FOR ALL
“Impedir que o arco se rompa, essa é a razão de ser da arte.”
O erro nietzscheano, se existe algum aqui, consiste na crença na instantaneidade da mudança e em seu marco divisório, que certamente não era este Wagner nem esta Bayreuth!
Elogios alter-biográficos que num espaço de uma década e meia seriam convertidos em autobiográficos: Ecce Homo, ele mesmo! Despojado de seu ídolo, superado…
Um pouco de afetação, aqui e acolá. Alguns anos depois, em que hierarquia situaria seu “primeiro músico absoluto”?
O CASO WAGNER (p.d.)
Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):
20: Benjamin Constant
22: sobre querer-se fundir com o amante
24: “o nada, a Circe indiana”
38: Wagner e Hegel—“a música como idéia”
44: Nietzsche contra os adolescentes
45: Wagner, o Minotauro. Ou comunista, comedor de criancinhas.
47: os tipos mórbidos de Dostoievsky
Ouvir 20 vezes uma mesma música devia ser algo bastante excepcional, àquele tempo.
Um libelo chauvinista.
Humor picante, sob a égide cesárea (“dizer o sério rindo”).
Como no Ecce Homo, tratado encharcado de citações em francês.
Siegfried//Shakespeare—tanto Siegfried e Brunilda quanto Romeu e Julieta “só podem se amar no Além”: logo, o “depois” é mais importante que o REAL.
“Wagner resume a modernidade. Não adianta, deve-se começar por ser wagneriano…”
“Um ser esgotado é atraído por aquilo que é nocivo: um vegetariano o é pelos legumes.”
Mais para o final da vida, começou a citar jornais em seus textos.
“Quando não se é rico, é preciso ser suficientemente digno para se ser pobre!…”
Só no epílogo, a crítica mais contundente e clara: uso dos mitos que sustentavam uma moral aristocrática para posar e se refestelar sobre a massa cristã. Ainda ensina: não se CONVENCE alguém ou uma época a favor ou contra uma crença.
Anotações de cunho pessoal:
De repente, acordamos pensando horrores daqueles por quem guardávamos uma alta estima!
NIETZSCHE CONTRA WAGNER
Páginas destacadas e temáticas (ed. Escala):
58: tiradas sarcásticas com direito até a merchand!
62-3: no parágrafo sobre a música como eco tardio de uma outra época, a previsão do gênero folk!
67: lamenta a França igualmente perdida… e já lamantara a Itália, no prefácio
“Ninguém leva ao teatro o sentido mais refinado de sua arte, muito menos quando se é artista que trabalha para o teatro—a solidão faz falta, a perfeição não tolera testemunhas… No teatro, nos tornamos plebe, rebanho, mulher, fariseu, gado eleitoral, patrono de igreja, idiota—wagneriano: é ali que a consciência mais pessoal se submete ao encanto nivelador da maioria, é ali que reina o próximo, ali é que nos tornamos próximo…”
“Foi assim que, progressivamente, passei a compreender Epicuro, antítese de um grego dionisíaco, e igualmente o cristão que, de fato, não passa de uma espécie de epicurista e se conforma a seu axioma ‘a fé torna feliz’.”
“A doença é sempre a resposta se queremos duvidar de nosso direito à nossa missão, se começamos a tornar as coisas mais fáceis para nós em qualquer sentido. Estranho e assustador ao mesmo tempo! São nossas facilitações que devemos expiar mais duramente! E se, depois disso, quisermos recuperar a saúde, não há mais escolha: temos de nos carregar mais pesadamente do que estávamos antes…”
De 5 a 8 de março de 2010
