Originalmente publicado em 17 de junho de 2013
Assim que entrou no bar sua figura se distorceu em três:
MOSCA FILOSÓFICA:
E o que acontecerá, num mundo sem dinheiro outra vez?
OCIDENTAL OBSCURO:
Como chegamos a isso?
MESTRE TRÁGICO DO EXISTIR:
Eu voltarei a reinar supremo!
OO:
Bobagem: não importa em qual mundo, sempre estaremos eclipsados! Nossos sonhos debaixo dos escombros, a promessa nunca cumprida. E você, Mosca Pensante?
MF:
Eu não estarei viva até lá, para mim isto basta.
MTE:
Seu nome é mesmo “Ocidental”? Pois parece que o Oriente, e o Sol, e a Lua, e todas as estrelas desta e de outras galáxias não passam de buracos negros, uma ruína perene, se é que isto não seria um contra-senso! Tem medo do amanhã?
OO:
O Mestre devia saber, eu sou o ocaso de todos os tempos e otimismo não posso enxergar. Fui ensinado desde cedo que é falácia. Mesmo que sejam mesmo, você impetuoso, o outro cavalheiro inseto esperto, superiores a mim, não importa, desde que do meu ponto de vista Deus, Gaia, o estrume e o escaravelho estão igualados.
MF:
Quem vai pagar a conta?
MTE:
Vocês não são moscas, são homens-tentáculos, sempre agarrando nossas pernas e nos fazendo descer do céu. O nosso céu pessoal. Mas ainda hoje e ainda na terra eu sou senhor. Como diz você, Sombrio: contra os fatos! Dentro do meu coração tenho espaço para todas as contradições, e até para o seu NÃO! E sobra um bocado para a indecisão.
OO:
Mas me conte do seu Reino, Quimera do Circo!
MTE:
Meu avesso regurgita moedinhas, eu sou o fliperama que despeja fichas ao invés de puxá-las. Quem quer ser um indigente? Moscas não conseguem se pensar sem seu açúcar, porque sem seu açúcar estão mortas. Mas eu sou massinha de modelar. Eu sou a esperança para frente e até para trás. Sabe escrever, não sabe? Sabe se ser—e ainda lamuria pelos cantos! O triste é que gostaria de lhe dizer que falta algo, mas não falta nada! Você já tem você. O resto são moscas na sopa, ou no refrigerante, certo? Vou zunir minha verdade estilizada: sou do topo da casta. O sonho com pés no subsolo, cabeça na estratosfera, banho gelado ou que escalda.
Com o tempo o Um vira nós 3—ou até nós 4, quando o Judeu Maometano quer ressuscitar—, as pessoas rumam cada uma para um canto, concertam seus solilóquios, treinam interações e depois festejam juntas, não importa se como escravos ou senhores. Saturno acabou, que venha Marte!
Quando as forças produtivas colapsam, o forte e seu instinto protetor é que cagam as regras!
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