[ARQUIVO] DEMÔNIO AFRICANO, @ AfroDite

Originalmente publicado em 21 de julho de 2013

Pele sebosa

Vaca mimosa

Tábua rancorosa

Carne de porco

Espírito de freira,

quer dormir com

as freiras

e professoras

*

Garçonete cantora

Um boquete por hora

Para espantar a modorra

Se mete a ser mãe,

agora

*

Fora o dispêndio,

vai envelhecendo

se maltratando,

as ex peranças

ex fumando

*

Melhor amiga Maria

Mas em verdade

É Madalena,

A Quenga

Triste como as hienas

*

Por trás é que arde,

boa menina

Imigrante cuja sina

É fazer um Deus

virar Obina

*

Dorme ao meu lado

estuda comigo

joga os búzios

esfrega os lábios,

geme um pouquinho

ex-namorado

idólatra do umbigo

queimou meus fusos

ao dar pra larápios

*

Perfume da vagina

Imagina terrores

te amei tanto

comeria teu estrume

por que essa cara

de espanto, Dolores?

*

Sempre sem pensar 2x

Pra mim todo te quis

Sinto que a bala que

passou por um triz

Te tornou meretriz

O que foi que eu fiz?

[ARQUIVO] QUEM É VOCÊ, BICHO-PAPÃO?

Originalmente publicado em 22 de maio de 2013

Você sempre vê na TV, lê nos jornais inúmeros casos. Ou então você é que se torna uma pessoa assim. Um adulto rancoroso. Que só quer, arrependido dos anos, voltar a ser criança, antes da Revolução Francesa ser livre de novo. Quando dar o dedo do meio para a pessoa que mais ama e de quem mais depende não tinha conseqüências amargas… Adeus talão de cheques. E eu nem sei jogar xadrez! Expediente, que expediente? Vão me demitir? Dessa vida eu prefiro mesmo. Eu sou asmático, mas no geral minha saúde está melhor. Parei de beber e de fumar.

Mas a criança não está isenta de sentar e refletir nas experiências passadas que teve. Hmm… Algo sinistro na penumbra. E quando eu voltei da caixa de areia, do parquinho no qual eu sou o gato miniatura, a melancolia baixou. Nadar, nadar, pode se afogar. Correr sem dor muscular. Os sintomas continuam.

Crianças do mundo, uni-vos! Cansamos das batalhas! Nossa constituição fraca não pode suportar nem longos comícios, então todos para casa! A Floresta de Varg e do Lobisomem me amedronta. Na verdade ouvi dizer que o pó da borboleta e o líquido do sapo cegam. A bruxa de Varginha, no quarto de empregada, esquenta o caldeirão e o salpica de vegetais, esperando eu, o prato principal. Na janela, lá fora, flutuando, sei que o Vampiro me observa. Vai me tornar imortal? Ou só um morcego? O rei de toda essa gangue é o bicho-papão, ele está debaixo da cama esperando um sinal, uma brecha. Quando súcubo sair de cima de mim ele ataca!

Eu tenho armas poderosas. Eu sou a inocência natural. Eu sou o sol que vos cega. Eu sou a caixa de areia protegida sem muros. Qualquer luzinha acesa da casa me conforta. Vos desmonta. Alô, Gênio! Meu pai e minha mãe. Meus guarda-costas. Invisibilidade. De olhos fechados ninguém pode me tocar. Porque estão na minha cabeça.

Mas isso termina? Gargalho me perdendo no labirinto da cidade, que é o que me resta. Ah, achei um abrigo longe do umbigo, uma casa. Deixe o mundo se estrepar lá fora. Eu vou matar o Bicho-Papão!

Fecho os olhos e ainda estou aqui, o azar é seu.

Com a faca na cela eu devo sair e encontrar umbrella, entrar no crisântemo.

“Matar ou morrer” é o moto aqui!

Zumbis com trombas mentirosas, eu os rasgo os corto. Triunfei. Como dizem os tuiteiros, zerei a vida, zerei Aquiles e a Mitologia. Eu até pensei estar salvando a humanidade, não só meu próprio rabo.

Você pode misturar ervas resultando em drogas mais potentes para me salvar do inferno.

Arquialquimista das emoções.

Estará no limiar de si mesmo esperando alguém entrar pela janela ou sair da jaula, suas janelas, suas jaulas, seus gorilas, lembre-se. Medo da minha sombra.

Voltar ao mundo real vai desapontá-lo tanto…

Ó!… Arrepios na espinha só um som. Geme geme geme.

(Não, não sou eu tresloucado pela falta de idéias sobre minha escrita!)

UUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUIIIII O Gemido. O orvalho.

Eu sou o irmão gêmeo do Leonardo Di Caprio!

Ó querida, parece que você acidentalmente se chocou com a parede e foi comida viva. Pela parede.

VIADO! . . .

Imagina se todos começassem loucos na terra e fossem paulatinamente se tornando sãos e coerentes, exatamente ao contrário do que acontece! Mas então o mundo seria dos sãos, porque hoje ele é dos mais velhos!

Maldita criança incoerente!

Desaprender a andar de bicicleta é necessário.

Se desfazer da última comunhão.

Recuperar a virgindade.

A razão está na imagem.

O que me irrita é que estou forte demais!

[ARQUIVO] VONTADE E REPRESENTAÇÃO

Originalmente publicado em 31 de maio de 2012

Sonhos em que me suicido… Eu e “meus outros 6 eus” finalmente chegando a um consenso na tórrida sala do júri interno? Até a ocasião do suicídio teria antes de cair do céu. Ou antes para o suicida—ou somente um tipo de suicida?—se trata sempre de achar essa hora para finalmente ser-se? Oportunistas. Isto é: ou não sou, nem nunca serei, não tenho sangue de suicida; ou todos os suicidas são tão covardes e apegados à vida quanto eu, exceto por um curto lapso, que não acontece com todo mundo.

Não pode ser que em um ano, digamos, tenha havido uma reformulação drástica de juízo! Ou que eu esteja contemplando esse musgo da árvore descascar… Mas deixemos de superstições e falemos do que sabemos! Qual seria o sentido, hoje, de um tal ato (tentando não ser hipócrita)?

O medo da decadência é tão forte que eu escolha selar o anel desde já, sem atender à curiosidade?

Do ângulo da infância: irremediável—tudo é ressignificado—até jogar videogame é chato e enjoa…

Arrependimento—os 24 anos que não voltam mais… Os “apesares de tudo” vindo na contramão…

Para o morto não interessa tanto o desfecho em si—mas o opróbrio causado pelo ato, que não pode ser mais que intermediário… Mesmo sem céu nem inferno não é possível ser mesquinha/maquinalmente um existencialista! Não dá para subtrair as conseqüências—parece que esse era o objetivo do suicídio… Do que adianta suprimir a dor se ela não será suprimida? “E do que adianta não suprimir”? O que é dar 360º na vida? Alguém sabe quando está no grau 0 ou “princípio da viagem”? Cabe-lhe receber e passar um bastão…

Qual é o Destino do Destino? Vagar…

O gorila chamado vida ainda não me soltou. Me sinto a loira do King Kong. Algum avião à vista?

Tenho ainda muita vida para trás!

Lembrancinhas do amanhã

E qual dúvida não é cruel?

Nós não sabemos

Toda vez que sentir vontade de se matar, durma…

* * *

DOS SEIOS REDONDINHOS

Pode falar

se seus peitos já

estiverem a

poucos centímetros

dos meus

*

Arfando, cintilantes

galantes, saltando

comprimidos

com pressa

*

De virem

subirem

às alturas

frontes duras

*

Bicos feitos

de âmbar

se excitam

– nos lamba!

* * *

Se Sísifo fosse condenado a rolar sobre uma pedra, seu sofrimento seria o mesmo.

Que se dane fique

O real filosofar é ser um bocadinho charlatão, já que tudo aqui é provisório e inútil, sem solução, sem resposta, sem folha corrida de serviços e sem currículo—filósofo competente é uma contradição em termos! O equivocado num quadro é sempre o mais certo no curso dum rio…

BUDISTA, em poucas palavras: o ateu inteligente.

Dez por cento do cérebro acham que só 10% do cérebro são utilizados. Talvez por percebermos o quão somos burros é provável que utilizemos 100% dele.

Principalmente o inconsciente quer dar cambalhotas. Deu para se mutilar—chilique de criança. Sabendo, com toda a carga, que não pode fazer isso, só representar assustadoramente. Uma rebeldia tal a essa altura? Os pontos corridos do devir se aproximam do, ou já estão no, returno. A ânsia pelo impossível. Vontade de exagerar um evento banal/não-evento. E ainda assim nem sabe o que é fazer hemodiálise, o capeta!

Goma de (ma)daga(scar)

Quando eu era pequeno tendia a querer demonstrar meu apreço a deus (ou nem tanto o apreço ao divino, mas a rejeição a Satanás) por uma abstração de duas colunas de “força” ou “energia”, uma azul e outra vermelha, uma que subia incessantemente na maior das velocidades, a outra que descia e rebentava os subsolos, e perfurava os infernos, e atravessava a imensidão do cosmo no sentido negativo, denotando queda de poder e derrota, cada vez mais fraca em contraste com a outra coluna, pujante. Ambas as colunas não podiam jamais chegar a seu destino—o caminho era só um reforço infinito, havia a necessidade de ser percorrido, de aparecer, não podia ser absoluto, tinha de ser uma quantidade dada, expressa em números, mas dentro de um invólucro para o qual não havia limites—o quanto era difícil para uma criança e continuará difícil para um adulto imaginar isso!

* * *

Em quantos anos o senso progressistóide terá sido perpassado? Isto é, quando mais ou menos será flagrante que a técnica, a tecnologia, não só avançam? Quando cessará de haver “melhores computadores e veículos”? A Idade Média tem má reputação porque neste período da humanidade não houve uma modernização, quão óbvio e irônico! Ferramentas mais simples, desmantelamento burocrático… Uma visão menos carregada (positiva ou negativamente) do futuro.

[ARQUIVO] LULU & OUTROS POEMAS

 

Originalmente publicado em 4 de junho de 2012

A MEMÓRIA PERSISTE (PRIMA-DONA)

E escurecer a luz de uma já apagada Prima Donna

Enquanto o sol de Hollywood se põe às suas costas

A banda não pode continuar?

Apenas escute, eles tocam minha música!

“Fade to black”

Pequena deusa de latão

Perfure a casca da maçã

Você morde mais do que precisa

Cuspa a semente da verdade!

O DRAMA DO NASCIMENTO

Toda criança toca o sol

Queima os dedos um por um…

Já aprende da guerra com soldados de plástico

Acorde, dorminhoco

Hora de salvar o mundo

*

Você traz o pobre cão da chuva

Só que ele só quer sair de novo

O espelho que eu quebrei

Para retratar a minha cara

Pode curar o que o pai fez?

Ou tapar o buraco no filho da mamãe?

LULUXO DA PRIMAVERA

Mas eu, estou feliz porque tenho minha fraldinha

e algum ópio para me deixar na linha

Realidade misturada com cachaça

Bread & Burger Gay

A frieza da maioria das belezas é um desafio que nossa juventude deve rapidamente transpor

Não há tempo para culpa

ou reflexão baseada no sentimento

Eu cultivo a juventude

todo o resto me aborrece

Sua vida de razão

quero te ver no chão

e no caixão

sua alma sacudindo

Você hesitando

em cada conhecimento acumulado

GORY

Tal qual abelhas no ar

Se eu sacudir meu traseiro como uma prostituta suja

Você pensaria menos de mim?

Você me cortaria, usaria uma faca em mim?

Violação suprema

Jack, eu te imploro!

Sangue na cozinha

Vou me render a sua lâmina mais afiada

como o pau de um homem de cor

O sangue esguichando

Perdão, perdão!

Você é perfeita, me deixe seguir sua respiração e seus passos

Degrade-me!

Tem restos que eu posso beliscar?

Cuspa na minha boca

Abra-me! Você é meu Golias

ASS: SENHORA APAVORADA

Você faz outros se sentirem gelatina

muitos homens me amam

mas não amo nenhum deles

*

Sou uma onda indiferente surfando o mar

Não tenho mais ninguém

*

No meu léxico do ódio

As batidas seguem num ritmo anormal

O medo percorre meu corpo

uma espada entre minhas coxas

Eu queria poder matar machucar você

case comigo, te quero como esposa

mas eu também amo seus olhos

ANATOMIA ANIMAL

Você é mais homem que eu

Estar seco e estéril sem-esperma como uma garota

o cachorrinho espera demais, é um monge

o cachorrão tomou seu lugar

ouça-o ganindo

ele quer entrar, ele quer entrar

*

um pintinho

dinheiro te leva ao topo

a cadela não se importa com o resto

enquanto puder aparentar

você pode sentir apenas o gostinho do que o cachorrão

tem à disposição

o cachorrinho com uma nota de 100 é um cachorrão

dinheiro pode fazer qualquer coisa

*

Você se acha especial

os outros são peões

para sua satisfação sexual

criatura penosa!

acha que somos uma espécie de mesa

em que você descansa os pés quando bem entende?

nós te amamos alteza

adoramos seu corpo perfeito

o seu cecê, o gosto da sua vulva e tudo nela

e você não tem significado

nunca nem ligou

pensar em você é uma outra forma de morrer

vou arrancar os seus mamilos

seu vestido de couro está guinchando

seus azulejos brancos estão vermelhos agora

aquele que te rejeita é o vencedor

tenho um truque na manga

chamado coração

as digitais correm seus cabelos que sensação

gloriosa

ser tão rejeitado!

[ARQUIVO] CERVANTADAS

Originalmente publicado em 23 de abril de 2012

O lado bom de construir estádios monumentais, neo-Coliseus, para a Copa é que os pobres vão ter sua copa: se houver um desastre natural os desabrigados poderão contar com estas instalações como casa e escola—ao menos enquanto não houver jogo, não for sábado nem quarta, nem domingo, nem sexta, nem… show da Ivete, e que os polícias estejam de bom humor, valha-me Deus!

* * *

“se em seco faço tanto, que não faço no molhado?”

*

“deve contentar-se com dar cabeçadas na água”

*

“letra de processo, que nem Satanás entende.”

*

“A ninfa Eco, filha do Ar e da Terra, foi condenada por Juno [Hera] a só falar repetindo as duas últimas sílabas do que lhe diziam. Desprezada por Narciso, recolheu-se a uma gruta, onde se consumiu em pranto”

*

421: meu ancestral, Dom Pedro de Aguiar

* * *

Fazer coisas trabalhosas ou não fazer nada?

Eis a questão que posso me colocar—mas até qd?

Saudades infindáveis

de percorrer o minhocão como quem não quer nd

de pretender ser um trabalhador

saudade, ô saudade, de ainda não usar trajos sociais

e bater o ponto _____ xérox _____ café _____ cigarro ___ ônibus

a pé ______ tudo ____ cansa  até ___________ o tédio

cada obj concluído ______ plim ______ fumaça

os incomodados que se internem!

os abusado(re)s que se revelem!

olhar o horizonte e achar bom o inefável—

essa vidinha +-

* * *

Eu poderia te cor(o)ar com minhas macaquices, princesa!

*

“Fala por seis, bebe por doze”

*

O mais racional agora é esperar algo cair do céu

[ARQUIVO] PAR|TIDO AO MEIO PELO (AM)ARG(OR) SARTREANO

PAR|TIDO AO MEIO PELO (AM)ARG(OR) SARTREANO

COMO MORTO

Originalmente publicado em 4 de abril de 2012

Isto é vida? Então era isto que era a vida? Explodindo de dentro para fora, a olhos vistos, arregalados, inertes. Todo o formigamento e sensação messiânica, prólogos dormentes do ingente? Desperta-se com fúria de um medo alimentado pelo absurdo contrário ao esperado. Aquilo que não pode ser representado pelas forças do circuito da ipseidade tenta ser figurado, retratado em objeto—ah, se não lhe escapa! que trote!

Um livro enorme que assusta pelo aspecto e pela capa negro-azul: um tijolo de letras e espaços atômicos entre os núcleos. Falar com exemplos tão profanos, cotidianos, de algo tão sério! Fumar um cigarro, ir ao teatro ou a uma exposição

Amor Dirty(coti)Diana

e desvendar o segredo! Corrente ultrapassada, mocada.

termos técnicos o poder ilustrar às massas o carisma

EU & A RAIVA, A RAIVA & EU

Uma relação que pode explicar a luta que eu venho travando há anos—talvez uma tentativa de desquite! O mais arcaico e notável sobre esta “força” em minha biografia é que me causava um prazer extraordinário sentir raiva. Não havia alusão a estados de nervos frágeis, cujo ideal seria a aparição apenas em último caso. Não havia fadiga e ao invés de evitar tais situações eu as forçava. D.S. vem à minha cabeça. Contra mulheres de perfídia, enfurecer-se era o melhor remédio.

Foi então que meu pai revelou o que havia de ancestral em tal vontade: meus antepassados respondiam por mim, eu podia sentir o peso deles e ver meu destino traçado, cumulado, em suma, de uma missão, que era ser um instrumento, empregar meu potencial. Havia um parente remoto que meu pai conhecia somente através de lendas, suponho, que “domaria todos pelo pulso”, o Brabo. Senti auto-identificação imediata. Mesmo evocar uma lembrança ou uma história do tipo era inútil ou redundante, já que havia um exemplar vivo, muito mais acessível: o próprio interlocutor, meu pai. De gênio ruim, beirando a hidrofobia, quase sempre se lhe escapou o controle. Eu recebi esse baú de herança. A raiva era minha amiga. Mas depois de tanto abusarem do dom, os mortos que me desculpem: a teimosia se tornou maldição. Na era recente, sou expectador da luta interna entre meu atavismo selvagem, os doutores, a disciplina, a adaptação, a sobrevivência.

Descobri que a frieza glacial pode ser a melhor postura diante de uma realidade inclemente que exige certo retardo, soro e contemplação de seus elementos em conflito. Se me sinto confortável com a idéia de jamais influir em algum acontecimento—como fatalidade, na medida do possível—, entrar no estado de precipitação emocional que carrego nos genes seria como pedir o papel de ator principal! Evito a ação porque depois preciso arcar com as labirínticas conseqüências…

Nada objetivo que seja utópico: quero apenas que me apaguem as manchas intempestivas do meu princípio ativo.

* * *

Quer salvar o mundo e o dana

o cavaleiro

Deseja o epílogo e principia

um conto o mago do mal

*

Quem perde uma, duas três vezes

está tão perto da vitória quanto

qualquer outro

*

Quem acumula êxitos,

coitado,

não passa de enganado!

*

Esperam o veredicto,

a medida provisória não convence

De La Mancha en biografía

Reino encantado no moinho

Sucessão, campanha alexandrina

ignomínia eternizada em estátua

* * *

Vai rolar a festança

Dom Quixote e Sancho Pança

Leve sua lança

Até a masmorra

Estandartes de Senegal e Andorra

Tem que ter muita pachorra

*

pra se negar a ir

gentis-homens ferir

e senhoras fazer ganir

*

Com tua sabedoria, esvazias tua piscina e deságuas n’oceano

*

Atrás de todo grande derribador de moinhos há sempre uma grande pança!

*

Alegro sua culpa

*

Se anjos não têm sexo, já sei que Lúcifer foi expulso do Paraíso porque era perigoso e tinha uma vagina!

*

Nem gays devem gostar de pornôs de homem com homem!

*

v(ida) Davi ganha

*

Espero que tenha um belo .com você, gata de respeito!

*

Uma convenção de loucos de todo o mundo. Eu seria o emissário de Brasília.

“Muitas vezes a presença da coisa amada perturba e emudece a intenção mais determinada e a língua mais atrevida.”

“A tal ponto o levaram os seus excomungados livros.”

Miguel de Cervantes

[ARQUIVO] MI’A MOR-TO(N)TEM

Originalmente publicado entre 13 e 22 de março de 2012


MEIONÇA

Ora, que venha alguém com muitas onças m’enfrentar!

Garanto que nem todas as riquezas mais ferozes bastarão!

Não preciso comprar meus inimigos

Que eles venham inteiro ou ao meio(-dia)

O brio que sucede não fraciona

Diante do rugido fedorento, das garras bem-aparadas

De um animal de casa, grã-grosseria é a minha

Não sou preço ou dívida, para que se me abata

Por decreto, como se não existira

Gatuno, montanha de especulação

Quando alqueiras alquebrar-te, me avise!

Tão másculo és, não vives sem bolsa

On’tá teu instinto?

Eu sim não minto sobre minha tropa, ela é nada

não a guardo debaixo dum assento

para que vire púrpura urina!

Herança que queda aos meus filhos

deve de ser não ter nem temer

Animal silvestre, todos vão perecer

por terem vindo investir com cobiça nos réis da selva


MI’A MOR-TO(N)TEM

Se é verdade que a vida é uma reprise,

cada dia a seu dia os mesmos gestos

Não deixe para amanhã viver o hoje

porquanto amanhã é hoje e não o depois

Somente hoje se promete

se promete todo o tempo ao vento

Hoje viver, amanhã morrer

palavras de insignificância

não servem para amortecer a ânsia

Da queda perpétua

que se consuma /ou consome num instante

Pedante ante a vida

Morri pelo fim, vi o VT

Mercê me crê

Repise o quinto piso

O quanto insisto nisto

*

Novela móvel interativa

Mexi no constructo, não alterei a ordem

Destilo impaciência ao caminhar

Que mentira, escrevo um poema

Coisa que ontem não me ocorreu

De óculos mirando o breu

Cada dia um novo dia,

Festas, gestas

Gestalts, Gestapos, guess & penetras n’ farrapos

O pensamento me fugiu

enquanto pensava

Evaporou ao passo que se concretizava

O mote já nem sei, nasceu como motim

Um montão de ideias

correias de mar

-fim


COMILANÇAS DE ULISSES, E ARROTEI!

Tão burra que acredita na própria recuperação!

Yin-Yang são dois gordos

se devorando, eu não tenho lugar

no esbocexistencial, no bojo do nojo nostálgico!


MI’A MOR-TO(N)TEM II

“Deixe para amanhã viver o amanhã”

O amanhã nunca é vivido, criança!

Se é, é porque o amanhã é sempre hoje

“Sempre” ou até morrer

Um ontem a viver

Um amanhã déjà-visto

Um hoje fugidio como a esposa espevitada

Pula a cerca sem se ver

Mas amanhã que é o hoje sai nos jornais

Cristaliza—e se acredita

que se viveu, tem testemunhos!

Tempo que se vende quando se obtém

porque dele não se encontra proveito utilidade

E se choraminga, se pechincha quando

se inveja o alheio, enredado em obrigações

Picos de felicidade eterna

Constâncias de tristezas singelas dissolutas

dissolvidas

Prolongamento cantante

silêncio de missa

respeitoso, olha o dízimo!

Calvário proletário festinha se anima

Sindicato do tempo restituindo horas extras

para cedermos ao tédio egoisticamente

com aquela impressão de tempo perdido

mas usufruído

*

Feliz é quem vê TV aberta

Alerta sempre às novidades

mata os desafios com bocejos e risos

nenhuma fadiga, só a de retornar

a si

Ferroada fumada

tosse expectorada

Caminhada solitária

Pisadas de sapato no asfalto

Nó bem dado, semblante de te descontraio

Bem-aprumado, celular num saco

*

Tratantes insistentes

Sorrisos cheios de dentes

mas pouco conteúdo

Monólogo assistido, compulsão vazia

Julgamento doutrem, justo d’a quem falta

uma existência mais pia

*

Expulsa isso de mim

Roqueiros malcriados

Contatos desaforados

Textos não-mostrados

Nem com nervos de aço!

Anais dos amores passados,

ficaram para trás

hemorróidas voyeurísticas

Inocência embutida,

pressuposta

Fatura exposta dos meus

Ché, quês barras de códigos

lunáticos taxas que olvido cinismo além do barato

*

Conta-gotas de suor

Acréscimos de um tempo,

Preliminares da vida

Incertidumbre

Pascal me abisma!

Sebo e cravo nas canelas

o alarme toca

Ação toma conta

não enrol /e no anzol

*

Você só tem de fazer o que tem de fazer, tudo o mais é inútil.

Lamuriar é necessidade

Então o que é tudo o +?

[ARQUIVO] SELEÇÃO DO SEXO

Já devo ter escrito isso em algum lugar, mas… Eu não estou à altura de mim mesmo! Sou “ocasional” demais…


Vantagem, afinal, para Eduardo, de Gabriela em relação a Isadora (OS SOFRIMENTOS DO JOVEM EDWARDS): é um ser que olha para cima e obedece, sem arrogância, mesmo que (e porque) você não seja um pai (tão mais velho assim).


“Se alguém não está desejoso de ter filhos, deveria estar desejoso de não ter sexo!” “Se você não quer os filhos, então sofra as conseqüências!”

Bom humor frio chuvoso cheiro de brilho gloss de morango nu


Castidade—pesque a idade de ouro, contamine-se amputado e já esquecido do orgasmo intra-carnal… Deixe que ela foda com quantos queira quantas vezes achar que deve. Supere a dor e a inveja, não deixe que se tornem palavras vagas e estranhas. Encare-os como marcianos em relação a sua Terra. Não quero este troféu. Sei das tentações e retrocessos de fora, de fora desta película e desta membrana, quando não sou mais peixe no aquário… Pensa que seis putas suntuosas ao seu redor não o modificariam… E se sonhar que…


Uma vez um dengo, sempre um dengo, hei de querer

é o maior prazer da humanidade, fazer orgias e infectar o ar… OITO

Meter, meter, meter… Se errou o alvo, não tens o que temer… Síncopes sincrônicas

tudo é tão ralo e frágil que desmancha como o sêmen na limonada…

Eu te valorizei, abelha-rainha…

Se está cansado, vire homem, faça o que é de praxe e se corrompa…

por isso tenho a certeza—NÃO NASCI PARA TRABALHAR.

Precalcinha anti -gravi10 da situação

Recall citrus ante


29 de setembro de 2011

[ARQUIVO] ALICE—EDIÇÃO COMENTADA—ZAHAR—Reverendo Dodgson, a.k.a. L.C.

Originalmente publicado em 4 de janeiro de 2011

“Tua ingenuidade é uma fonte perene.”

“Alice no País”, um conto muito hermético. Talvez tão hermético quanto o Pequeno Príncipe.

“As crianças de hoje sentem-se aturdidas e às vezes apavoradas pela atmosfera de pesadelo dos sonhos de Alice. É apenas porque adultos—cientistas e matemáticos em particular—continuam a apreciá-los que os livros de Alice têm sua imortalidade assegurada. É apenas para esses adultos que as notas deste volume são dirigidas.” “os elementos sádicos em Alice, que são bastante brandos comparados aos dos desenhos animados dos últimos 20 anos.”

“Não há dúvida sobre a profundidade e a sinceridade de suas idéias anglicanas [Carroll]. Era ortodoxo sob todos os aspectos, salvo por sua incapacidade de acreditar na danação eterna.” “levou uma vida sem sexo, sem grandes acontecimentos, e feliz.”

“Gosto de crianças (exceto meninos)” “Os corpos nus das meninas (em contraste com os dos meninos) lhe pareciam extremamente belos. Quando a oportunidade se apresentava, desenhava-as ou fotografava-as nuas, com a permissão da mãe, é claro. ‘Se eu tivesse a criança mais linda do mundo para desenhar ou fotografar’, escreveu, ‘e descobrisse nela um ligeiro acanhamento (por mais ligeiro e facilmente superável que fosse) de ser retratada nua, eu sentia ser um dever solene para com Deus abandonar por completo a solicitação.’ Por temor de que essas imagens desnudas criassem embaraços para as meninas mais tarde, pediu que após a sua morte fossem destruídas ou devolvidas às crianças ou a seus pais. Nenhuma parece ter sobrevivido.” “Tornou-se especialista em encontrar menininhas em vagões de trem e praias públicas. Um saco preto que sempre levava consigo nessas viagens ao litoral continha quebra-cabeças de arame e outros regalos inusitados para estimular o interesse delas. Chegava a carregar um suprimento de alfinetes de segurança para prender as saias de menininhas quando desejavam chapinhar na arrebentação. As manobras iniciais de aproximação podiam ser divertidas. Certa vez, quando estava desenhando perto do mar, uma menina que havia caído na água passou por ele com as roupas encharcadas. Carroll rasgou a ponta de um mata-borrão e disse: ‘Posso lhe oferecer isto para se enxugar?’”

“O que distingue Carroll de outros escritores que viveram vidas desprovidas de sexo (Thoreau, Henry James…) e de escritores que eram fortemente atraídos por meninas (Poe, Ernest Dowson…) era sua curiosa combinação, quase única na história da literatura, de completa inocência sexual com uma paixão que só pode ser qualificada de inteiramente heterossexual.”

“Mais de um crítico comentou as semelhanças entre O Processo de Kafka e o julgamento de Valete de Copas”

“O riso, declara Reinhold Niebuhr, é um dos mais excelentes sermões, uma espécie de terra de ninguém entre a fé e o desespero. Preservamos nossa sanidade rindo dos absurdos superficiais da vida, mas o riso se transforma em amargura e escárnio se dirigido para as irracionalidades mais profundas do mal e da morte.”

Alice foi sua mais apaixonante amiguinha. Ele teria por volta de 30 anos quando ela era pequena (10 ou 11 anos seria uma idade provável? Vide mais além nestas anotações!), e parece que a cortejava, irritando a mãe. Lewis Carroll e termos como perversão e pedofilia dão bom número de resultados no Google. Isso não quer dizer unanimidade. Terreno espinhoso.

“aquelas fotografias ambíguas que fazia em quartos sombrios.” Nabokov, escritor e tradutor russo do legado de Carroll

“Críticos notaram também a similaridade entre os desfechos de Aventuras de Alice (…) e Invitation to a Beheading, de Nabokov.”


**********

“de que serve um livro (…) sem figuras nem diálogos?”

“imagine fazer mesura quando se está despencando no ar! Você acha que conseguiria?”

“como é a chama de uma vela depois que a vela se apaga”

“Em geral dava conselhos muito bons para si mesma”

“Deveria haver um livro escrito sobre mim, ah isso deveria!”

“Um gole de conhaque.”

50: o cogumelo que altera o tamanho

Uma escolar em crise de identidade. Sempre perdida em meio às algazarras e grosserias dos adultos. Bem dialético…

O Reino de Terror da Rainha de Copas. É uma matriarquia.

“Uma sopa pode muito bem ficar boa sem pimenta…”

Parece com a moral do Visconde de Sabugosa.

“Só assim você se prepara para uma carreira: aulas mais rápidas a cada dia”

“Se a Inglaterra some de vista… é que a França apareceu!”


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Gatos dão banho em seus próprios filhotes?

O mito da realidade paralela por trás do reflexo do vidro.

150: a preocupação com a saúde das rosas ao ar livre (//Pequeno Príncipe)

177: aquela vontade infantil de varrer toda a poeira da rua

191: a força do destino

“Ora, algumas vezes cheguei a acreditar em até seis coisas impossíveis antes do café da manhã.”

“Como posso trabalhar se eu ainda cago nas calças?”, pensa o homem que atropela as etapas.

Um sorriso tão falso e amplo que degolou sua cabeça.

Talvez os poderes das peças no xadrez sejam um resquício do matriarcado?

“Não gosto de pertencer ao sonho de outra pessoa”

230: os tombos em sonhos

“como se pode conversar com uma pessoa se ela diz sempre a mesma coisa?”

Diz-se que em “Através do Espelho” Alice teria 7 anos e ½, tendo-se passado meio ano após as aventuras do primeiro maravilhoso sonho.

“Marimbondos-macho, como o de Carroll, embora pareçam temíveis, assemelham-se aos reis do xadrez. São criaturas amáveis, inofensivas.”

“na França e na Inglaterra nos sécs. XVII e XVIII (…) era possível saber instantaneamente qual era a profissão de um homem pelo tipo de peruca que exibia.” Martin Gardner—o intérprete dos livros.

“A face de um marimbondo de fato parece uma face humana envolta por um lenço”

286: a dor de perder os cachos

“Temo que seja verdade que não há crianças na América.” Carroll—Apesar do seu livro mais famoso ter sido publicado pela primeira vez num 4 de julho!

“Mais de uma centena de artistas ilustraram os livros de Alice.”


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NOTAS

“As imagens de Alice feitas por Tenniel não retratam Alice Liddell, que tinha cabelo escuro cortado curto e franja caindo lisa sobre a testa. [LiDDeLL CaRRoLL CARROSSEL] L.C. enviou a Tenniel uma fotografia de Mary Hilton Bacock, outra amiga criança, recomendando-lhe que a usasse como modelo”

“O sr. Tenniel é o único artista que desenhou para mim que se recusou a usar um modelo, declarando que tinha tão pouca necessidade de um quanto eu de uma tabuada de multiplicar para resolver um problema matemático! Arrisco-me a pensar que estava errado e que, por falta de modelo, desenhou várias imagens de ‘Alice’ completamente desproporcionais—cabeça evidentemente grande demais e pés evidentemente pequenos demais.” Ora, isso se chama estilo, senhor Carroll!

“gozo ávido da Vida que só ocorre nas horas felizes da infância, quando tudo é novo e justo, e quando Pecado e Dor são apenas nomes—palavras vazias que nada significam!”

“Para as centenas de referências a Dodgson e aos livros de Alice em Finnegans Wake, ver o excelente artigo de Ann McGarrity Buki, ‘Lewis Carroll in Finnegans Wake’, em Lewis Carroll: A Celebration (Clarkson N. Potter, 1982), organizado por Edward Guiliano.”

Adoro “fofoca de Época”.

“O Dodô incapaz de voar foi extinto por volta de 1681. (…) O Dodô era nativo das Ilhas Maurício, no Oceano Índico. Marinheiros holandeses e colonizadores [dinamarqueses] matavam as ‘aves nojentas’, como as chamavam, para comê-las (…) O Dodô é um dos primeiros exemplos de espécie animal totalmente extinta pela espécie humana. Ver ‘The Dodo in The Caucus Race’ por Stephen Jay Gould, em Natural History (nov. 1996).” Porém o que se diz em outras fontes é que a carne deste animal aparentado com a família do pombo (só que bem maior) não era muito apetitosa, e ele se findou muito mais por motivos indiretos da colonização que pela predação em si.

“Tennyson teve o poema em alta conta enquanto sonhava, mas esqueceu-o completamente quando despertou.” Isso não é muito incomum, eu acho!

UTILIDADE PÚBLICA (p. 50): Ao que parece, as chances de envenenamento são menores se eu, perdido na floresta, decidir comer um cogumelo de forma chata. Diz-se que cogumelos volumosos como o do Mario quase sempre carregam algum tipo de veneno.

57: a história da mulher mais feia do mundo, que teria inspirado a aparência da Duquesa que nana o bebê-porco

“O Gato de Cheshire não está no manuscrito original, Alice’s Adventures Under Ground.” “Whoopi Goldberg foi o Gato de Cheshire na versão enfadonha e medíocre de Alice(…) que a NBC levou ao ar em 28 de fevereiro de 1999.”

“Vez por outra Carroll fazia um esforço para ser cordial com um menino, mas em geral só quando ele tinha irmãs que desejava conhecer.”

62: Alice e Kerouac! Até mesmo o Talmude diz o que o Gato diz!

A VENDETA NIETZSCHEANA POR INTERMÉDIO DE UM NOIADO E SEU CHARGISTA: “‘É impossível descrever Bertrand Russell’, escreve Norbert Wiener no cap. 14 de sua autobiografia Ex-Prodigy, ‘exceto dizendo que ele parece o Chapeleiro Louco… A caricatura de Tenniel quase revela uma antecipação por parte do artista.’”

“Pelo que sei, não se fizeram estudos empíricos sobre o modo como crianças reagem a tais cenas [decapitações] e o dano que é ou não causado às suas psiques. Minha impressão é que a criança normal acha tudo isso muito divertido e não é prejudicada em absoluto, mas que não se deveria permitir que livros como Alice(…) e O Mágico de Oz circulassem livremente entre adultos que não estão se submetendo a análise.”

88: menção de Dante (saga do Paraíso)

89: teoria dos jogos—pôquer

Sobre a frase das “aulas cada vez mais rápidas”: “No décimo segundo dia e nos dias subseqüentes, começariam os alunos a dar aula para o professor?”

“Cary Grant soluçou ao longo da canção [Estrela da Tarde] em seu papel de Tartaruga Falsa na medíocre versão de Alice para o cinema produzida pela Paramount em 1933.”

104: refuta-se a teoria de que as tartarugas choram quando desovam à noite na areia da praia. Na verdade elas possuem glândulas de remoção do sal perto dos olhos.

“Na Idade Média e no Renascimento, jogava-se xadrez por vezes com peças humanas em campos enormes (veja Gargantua e Pantagruel, de Rabelais, livro 5, caps. 24 e 25)”

142: viagem atômica! Fala da criação de uma anti-matéria que serviria a propósitos nucleares mais poderosos que a fusão e a fissão.

Carroll teria “se esquecido” dos bispos por respeitar a ortodoxia cristã.

“Nenhum carrolliano pode deixar de ler Night of the Jabberwock. É uma obra de ficção excepcional, que tem vínculos estreitos com os livros de Alice.”

Carroll e Edward Lear teriam sido pioneiros, pais dos dadaístas e tantos outros—porém o segredo de seu sucesso está menos na técnica hipertrofiada e fervorosa e mais no descompromisso de sua poesia relaxada e oportuna, vindo de quem sabe, coisa que o séc. XX, engajado, não capta muito bem. Isso reforça a minha tese de não fundar uma escola nova.

C. escreveu o primeiro livro aos 13.

181-2: o controverso tema dos sonhos simultâneos/coincidentes/em interseção

CARROLL IRIA ADORAR UMA VITROLA COM UM LP DA XUXA DENTRO! “Desde que C. a utilizou, a ‘vida às avessas’ foi a base de muitas fantasias e histórias de ficção científica. A mais conhecida é o conto de F. Scott Fitzgerald, The Strange Case of Benjamin Button.”

“C. era um grande admirador dos Pensamentos, de Pascal.”

204: citação da troça hobbesiano-tomista sobre o riso

“Os estudiosos de Finnegans Wake não precisam ser lembrados de que Humpty Dumpty é um dos símbolos básicos do livro: o grande ovo cósmico cuja queda, como a queda causada pela bebedeira de Finnegan, sugere a queda de Lúcifer e do homem.”

211: Ulisses e o truque lingüístico do Ninguém contra o ciclope Polifemo (Pensamento Verde!)

“C. gostava especialmente das terças-feiras.”


Eu sou teimoso e sei chifrar

por que você haveria de me evitar?

troco as rimas por outras

igual deixo minha fúria à solta!

GLOSSÁRIO

chapinhar: resvalar com alguma parte do corpo na água. Ou mesmo afundar, ir e vir na superfície.

[ARQUIVO] CONDENSADO

A vida é uma noite de gala

A criança é o bêbado, dos primeiros goles à euforia total

O adulto é apenas a ressaca, retumbante, semi-eterna

(Talvez o adolesça seja esse moleque briguento, esse todos nós que viram machão, estufam o peito e se metem a socar e bicar mil canelas, mas só fazem trombar e tombar e provocar risadas, quem sabe medo, se não for tão patético!)

E o velho, rá, eu havia dito

que a vida era uma noite

mas como já transgredi

e incluí a ressaca

que tal a UTI

com seus monitores e tubos

lamentos, flores e parentes

nenhum último gole, nenhum último tônus muscular,

só aquele resmungo do velho gagá

ele é o fígado, o rim, o pâncreas, pretos, ele é a morte

E o menininho nem se pergunta – pai, devo sair de casa? Ele sai.

[ARQUIVO] O FEITIÇO VIROU CONTRA A FEITICEIRA

Originalmente publicado em 4 de dezembro de 2010

Noite, noite, noite…

Você me tranqüiliza…

Por que é que não me engole?

de uma vez…

Os dias demoram a passar

Para teu azar

não foram só eles que senti que, afinal,

iriam expirar

(em sua lenta agonia)…

Porque a lança com que me atravessaste,

não sabes,

mas tua imperícia já fez com que a ferida

cicatrizasse…

Acaba de passar,

meu sentimento de te amar

O que chamas de desperdiçar,

se pelo ar oxidam-se as chamas

nada devagar?

Pensar que em vão?

Mas cinzas deixam na lareira,

para recomeçar a fogueira

Assustada e atroz,

a nova, como a primeira?

Me doaria feito uma fênix

à cegueira;

mas já não posso mentir,

a menos que tu queiras

Freiras matreiras guerreiras,

erguei-as!

Não são as de pano preto e bíblia na mão,

essas devotas.

Derrotas dessas são,

na insídia e na falta de enlevo,

enganos do coração santo e são

Adianto que me espanto

diante do tanto que pequei

devido a teu infiel encanto

Antro de perdição,

ou de perdizes,

que me dizes?

Meretrizes pelos cantos,

saindo das filiais e matrizes?

Patifes, vós sois os culpados!

Entrais no salão todos armados,

de um bom bocado de querer-ser-macho

e afastam o lastro dourado

da flor, antiga e específica

simbologia dessa dor,

outrora digna de louvor

[ARQUIVO] HOMEM-BORRACHA hombre borracho

Originalmente postado em 4 de novembro de 2009. Retocado em 25 de dezembro de 2023.


Especialização: que papinho ridículo de porteiro semi-letrado-afilhado!

O mestre-psicólogo com bacharel em sociologia: brindado com o descrédito, o tabu, portas na cara.

Cara bonita, letra bonita.

Você vai atender os loucos? Engana-se quem pensa no anti-boêmio.


RIR & RECEBER

Salário

Já estou pago

Ora, vim ao mundo nu

Paraíso das almas de mendigo

Sou um Sócrates

Um maduro

Mas não farto

Faltam alguns

(desobrigados) partos.


Quantos alimentos minhas paredes podem suportar

Antes de dissolver com a própria comida vermífuga

(sim, porque essa carne exótica os mata, Dr. Benway!)


Rendered useless to mankind

destroy the logic volume

in the confines of the mind.

I saw tomorrow becoming today

Pântano de lixo curioso e danoso

O mundo é uma bola jocosa


7 anos debaixo dos panos

101 110 160 o quanto o motor

bitolado agüenta

gasto de folhas

cigarra fanha festa celulóide

Meu próprio enigma –

[ARQUIVO] QUE FIM VENCEU QUEM LEVOU A MOSCA NÃO SABE A SOPA

Originalmente postado em 19 de dezembro de 2009.

 

O que acontece com os irmãos? O que acontece com a namorada? O que acontece ao amigo? O agon

 

QUEM VENCEU?

 

O barroco.

 

Eu fui belo.

Espetáculo inconsciente infantil.

 

Uma estória de um vencedor? Só que podia ter tomado uns descaminhos e não ter sido assim…

Às vezes é melhor deixar sem conclusão.

Porque a morte não sabe à conclusão.

A vida não é longa, a vida é

Majestade agora

            Não tão amplo sacrifício

Esse é o auge e percebi

 

 

[ARQUIVO] NÃO TEVE GOLPE, NÃO REINA A HIPOCRISIA, E TAMPOUCO PISO EU EM OVOS DE COBRA. Ou: AS AVENTURAS DE RAFAEL NO PAÍS DO EVANGELISTÃO

Originalmente publicado em 5 de dezembro de 2016, em homenagem aos “colaboradores” e “prestadores” de (des)serviço lotados na velha Diretoria de Relações Internacionais da CAPES da gestão Michel Temer (divisão “primeiro mundo” – o dos últimos imundos).

 

Eles estão

em decomposição

Viver é uma compulsão,

abstração diuturna

Máquina ininterrupta de defecação bucal

YOUR HIGHNESS!

Gerador Rancoroso de Asneira Çalada Aparvalhada

Vertigem da intolerância encarnada numa pessoa só

“numa pessoa só”

Não-me-toque em nenhuma das minhas 2 mil caras.

Bruna Surfistinha das personalidades messiânicas e cristãs.

Caráter promíscuo quebrando a cabeça

tentando, com coração de pedra,

estilhaçar o vidro do vizinho.

Danação alheia.

Potezinho,

cheio de lágrimas de croc’

o’ dillo

Estamos todos a descoberto

Mas deixem os perfeccionistas entregues a si mesmos

Esse é um pingue-pongue fadado à imortalidade,

escolha se queres vencer pelo ímpar

ou em par

Que bonito, hein, que boniteza!

Beleza acoplada à boca escancarada.

Quem diria? Ninguém,

se justo quem hoje diz

não nos permite imaginar

[ARQUIVO] O POEMA DO TÍTULO ROUBADO

Originalmente publicado em 13 de dezembro de 2016

 

o homem revoltado, o homem indisposto

o homem sobreposto, o homem que paguimposto

o homem suposto apenas suposto homem

o rato roedor o homem honrado

o humanóide roído, o império ruído

o rato rasgado, o ratorrível

o homem-rato fudido

o tato em falta o teto preenchido

quem mexeu no meu rato

quem esfaqueou o meu homem

quem escapou

pelo buraco da ratoeira

sem deixar vestígio

NO PAIN NO GAME NOR FLOCK

O desejo dos de(le)uzes

Os ledos desejos e enseJós

de um deus, de a a z.

Cruzes!

Lux!

DesIsto de desisTýr!

L’Odeur

Douleur, o pain de todas as dores

Redo the healing/hearing (please)! C and Re at least (D to meet you, Your Highness!)

Others may, in dismay, act like they are Odins or simply Orpheus

Os andrajos dos deuses minguados

dull lair

of the gods

Where, fundamentally, did i forget my socks?

You! You infidel! Don’t mock!

Al menos, el pan de todos los dolores ¡dadnos! hoy, oh holy Father!…

See, my son, at last!

Lest I undo the poem

In due time

[ MILÉSIMO POST DO SECLUSÃO ANAGÓGICA ] THE ILLUSION OF THE END – Jean Baudrillard, 1994 (altamente comentado) [ #1000 ]

14/10/16 a 06/11/16

English translation from French by Chris Turner. Tradução do inglês ao português por mim.

“history has become impossible because telling (recitatium) is, by definition, the possible recurrence of a sequence of meanings.”

“No event can withstand being beamed across the whole planet.” “to pursue the same train of thought: no sexuality can withstand being liberated, no culture can withstand bein hyped, no truth can withstand being verified, etc.”

“Matter shows the passing of time. To put it more precisely, time at the surface of a very dense body seems to be going in slow motion. Beyond a certain limit, time stops and the wavelenght becomes infinite.”

Qual seria o sentido de crianças nascendo mesmo após meu nascimento? I.e., do ponto de vista do combate ao niilismo. Porque se, para mim, mesmo os adultos são bebês gigantes com idéias de ter filhos e netos, trancados no ciclo da esterilidade, cuja trilha sonora é um grito estridente duma criança levada que ralou o joelho no parque… O tempo está estacionado na vaga dos deficientes.

“Deep down, one cannot even speak of the end of history here, since history will not have time to catch up with its own end. Its effects are accelerating, but its meaning is slowing inexorably.”

“Há uma terceira hipótese (…) o efeito estereofônico. Nós somos todos obcecados por alta fidelidade, pela qualidade da ‘reprodução’ musical. Nos consoles de nossos estéreos, abastecidos de tuners, amplificadores e microfones, misturamos, ajustamos, multiplicamos faixas em busca da batida perfeita. Isso ainda é música? Onde está o limite da alta fidelidade além do qual a música desaparece enquanto tal?” “ela desaparece em seu próprio efeito especial.” “É o êxtase e o fim da musicalidade.”

“that famous feedback effect, which is produced in acoustics by a source and a receiver being too close together”

“a short-circuit between cause and effect like that between the object and the experimenting subject in the microphysics” Re-re-re-re-re:RE:FWD:ENC-re-remaster of Reality

Cada bebê recria a sua Matrix. E só atinge o real em retrospecto. A revolução é mera nostalgia e arrependimento – e se?

“We shall never get back to pre-stereo music (except by an additional technical simulation effect)”

Quem se recusa a esperar, espera do mesmo jeito.

Quem espera ardorosamente, na verdade faz tudo menos esperar.

– Qual é a sua importante resolução?

– 800×600.

Baudrillard, o eterno canalha indiscordável. O autor da fascinação. Odiamo-lo, mas sempre concordamos com ele. Queremos profundamente que ele não esteja certo, mas pressentimos que está. A pobreza, recorrência e esterilidade – deliberada? Haha, qual a diferença? – de seu discurso nos resume, nos explica. Não podemos sequer simular que o superamos, ele é onipresente. Ele não foi o primeiro discurso branco (white noise, white text, white logos) intentado, mas é o primeiro consumado. Seria uma contradição dizer que é uma singularidade histórica? Ele desafia a máxima do “é possível ser filósofo a qualquer tempo”; estabelece-se como o último. Ou o primeiro de nós. Se ainda é possível não ser um Baudrillard, nascemos na época errada. É possível iniciar de forma diferente, mas ele é a conseqüência inelutável. Quando se tornar velho não será viável refutá-lo, porque então não terá o mesmo sentido a palavra “contradição”.

“on edge – that is, both overexcited and indifferent”

Keith Beaumont, Alfred Jarry: A Critical and Biographical Study

A ARTE DA DETERRÊNCIA: Empurrando as revoluções com a barriga. Temos ainda muita gordura petrolífera para queimar. “Deterrence is a very peculiar form of action: it is what causes something not to take place.”

Marvel apresenta: O Homem que Congelou a Roda da História

Teria Alexandre realmente feito história? Historicamente feito realidade? Ponha um grande homem na frente de uma criança de 3 anos e veja-o convertido subitamente num pateta universal.

Kant, O Pataphýsico do Meião

Teleologia das 4 Patafísicas

Fenomenologia Ubuana

Patafísica Concreta

Patafisicismo Histórico-Dialético Positivista

Catecismo Patafísico

Patafisiquismo Empírico

Tu não vales meia metafa – BQT Somewhere

½ ½ ½ 3 legs

3 lags of a

2nd Messiah

A patafísica de Cristo final lapada na rachada

Os Fundamentos da Patafísica Moderna – Novo A Mosca?

apenas subtítulo… A Mosca Filosófica & Outras Estórias…

FM & Outras Estações

Neminhanamoradamelevasério

A Música Patofúsica

A liquidação da Patafísica

a $1,99

Morrenvenenado

Jarry, Exploits and Opinions of Dr. Faustroll

Veículo Cerebral Só Visível no Invisível Mapa Mental do Gênio

A Patafísica Antológica – Recipiente Líq. II – The Fly…And Other Detritus

O EXPERIMENTO ANTICAPES

ASSINE A PESTIÇÃO POR UMA VIDA

já com 0 assinaturas!

O universo é insetocêntrico.

A mariposa gira ao redor do Sol, desse Galileu Copo&Nico, o cientista com Asas – mas não seria o inverso, ó vôo relativo?

Os homens sobrevoam sua cabeça estacionária cheia de merda, tenho a certeza.

A cabana sobrevoa sua banana

A mucama voasub sua cruz

A Multiplicidade Concreta das Bolhas Atômicas

A Guerra Quente Nua que Há – Que Continua

A decência da Subida ao Vácuo

A Meridionauta Contra o Austronato

Eu não me recordo do título do meu livro;

Eu não me livro do título que recordo.

A força anormal que contrapõe a anti-gravidade.

D-Sire

Resided on The (D) Resistance

Past Tense

Nowadays Tranquility

Rope you find the hope

Todo Rousseau tem o seu Locke-fechadura.

Todo rousse tem o seu au mericano.

Pp. 18-9: “escape the heavy form, the gravity of ‘desire’, conceived as positive attraction, by the much more subtle eccentricity of seduction (…) the last gasp escape from the body of molecules that are much too light [not dark!]”

Pope’s eye beholding the espinafrican. SPIN NACH(E)

O africano giratório

seclusion of reality

SECLUSÃO ANAGÓGICA – ótimo título em termos de oferta e demanda se é que mentende. (22/10/16, momento em que escolhi o título do blog.)

“If, by some strange revolution, we set off in the opposite direction and turn inwards into this dimension of the past, then we can no longer represent that something to ourselves. The beam of memory bends, and makes every event a black hole.”

Depois da Ciência Histórica, na velocidade de alguns Hegels, a Probabilidade. Depois da Ciência Probabilística, no ridículo espaço de uns 15min, o link jornalístico sem maquiagem.

Como artistas, não nos sobra nem a energia para terminar nosso quadro.

“Celebration and commemoration are themselves merely the soft form of necrophagous cannibalism, [necromicrophysics] the homeopathic form of murder by easy stages. This is the work of the heirs whose ressentiment towards the deceased is boundless. (…) complete works, the publication of the tiniest of unpublished fragments (…) active age of ressentiment”

Um jogo quântico de RPG em que jogar o dado é banal.

A aristocracia celebra sua própria queda, porque só a aristocracia celebra. Mais, só a aristocracia cai.

“We eliminate St.-Just from the Dictionnaire de la Révolution. ‘Overrated rhetoric’, says François Furet, perfect historian of the repentance of the Terror and the glory.”

“the centenary of a death. With Rimbaud, Van Gogh and Nietzsche, 1991 will have been exceptional in terms of vile acts of desecration.”

“If the left were a species, and culture obeyed the laws of natural selection, it would have disappeared long ago.” Fortunately for us, we are zombies.

Ficarei cego e exorcizado após tudo ter lido. Até um Diogo, um Ueslei, sangue do meu sangue, reprovaria incêndios bibliotecários… Alexandria, o pecado do sapato de ponta fina.

HELLCICLAGEM O Incinerador de Sonhos, que levará junto alguns resíduos. Velocidade Alucinante do Sereno

Preguiça, o Primeiro Não-Pecado dos Meus-Filhos

P. 24: “The century is becoming intellectual today just as it became bourgeois a century ago.”

“the word ‘burgeois’ – which now exposes only the person who uses it to ridicule”

“The little trick of placing the nude from Manet’s Déjeuner sur l’herbe opposite Cézanne’s Card Players, as one might put an admiral’s hat on a monkey, is nothing more than the advertising-style irony currently engulfing the world of art.” The Facebookians

“É como se a história estivesse pilhando em meio ao seu próprio lixo em busca da redenção lixosa.”

“Onde jogaremos o Marxismo, que vem a ser aliás o pai dos lixos da história? (Ainda há alguma justiça aqui, já que as mesmas pessoas que geraram o lixo caíram dentro da lixeira.) Conclusão: se não há mais lixos históricos, é porque a história propriamente dita se tornou um lixo.”

“Quando o gelo congela, todo o excremento emerge à superfície. Então, quando a dialética congelou, todos os dejetos sagrados da dialética vieram à tona.”

O PROBLEMA DA ECONOMIA DOS RESTOS OU DO RESTO: “ideologias defuntas, utopias abandonadas, conceitos mortos e idéias possibilizadas, que continuam a poluir nosso espaço mental. A recusa histórico-intelectual cria um problema ainda mais sério que os restos industriais. Quem vai nos livrar da sedimentação de séculos de estupidez? (…) O imperativo ecológico é que todos os resíduos devem ser reciclados.”

O Corpo Que Bóia, Inanimado, na Lagoa Rodrigo de Freitas, hitchcockian classic.

Ionesco, Amédée, ou Comment s’en Débarrasser (peça)

Um velho nostálgico conta o quê? Vintage!

“Democracy itself (a proliferating form, the lowest common denominator of all our liberal west common societies); this planetary democracy of the Rights of Man, is to real freedom what Disneyland is to the imaginary.”

O que foi superplantado está sob a terra.

sóbrio elefante e a tartaruga de meia-idade

Onde estão os fragmentos póstumos resultantes da exumação do cadáver do Baudrillard?

“History has only wrenched itself from cyclical time to fall into the order of the recyclable.”

A China e sua burocracia de dragões fossilizada é logo ali!

“the problem of liberty quite simply cannot be posed here any longer. In the West, freedom – the Idea of Freedom – has died a natural death: In the East it was murdered, but there is no such thing as the perfect crime.”

Philippe Alfonsi, Au nom de la science (livro sobre a ‘memória d’água’!)

“glasnost? it is almost a post-modern remake of our original version of modernity (…) all the positive and negative signs combined: not just human rights, but crimes, catastrophes and accidents which are all joyously increasing in the ex-USSR since the liberalization of the regime.” “The irony of the situation is such that it will perhaps be us who are one day forced to rescue the historical memory of Stalinism, while the countries of Eastern Europe will no longer remember the phenomenon.”

“We are in the process of wiping out the entire 20th century, effacing all the signs of the Cold Wars one by one, perhaps even all trace of the Second World War and of all the political or ideological revolutions of the 20th century. The reunification of Germany is inevitable (…) a rewriting which is going to take up a large part of the last 10 years of the century. At the rate we are going we shall soon be back at the Holy Roman Empire.”

“Restoration, regression, rehabilitation, revival of the old frontiers, of the old differences, of particularities, of religions – and even resipiscence [re-sapiência] in the sphere of morals.”

“Ecstasy and beatification should not be confused.”

“the astonishing pre-eminence in the media of the figure of the Pope, who travels the whole world (even the Islamic Sahel!) blessing all forms of crossbreeding and repentance, while ensuing that durable forms of voluntary servitude are in place.”

“we are witnessing the striking illustration of what Hegel calls ‘the life moving within itself, of that which is dead’ [Das sich in sich selbst bewegende Leben des Totes.].”

“the strange ease with which all the communist regions collapsed: they had only to be touched for them to realize that they no longer existed. It was like a cartoon, where the tightropewalker, teetering over the abyss, suddenly sees his rope is gone and immediately falls, passing without transition from the imaginary to the real (this the basic mechanism of cartoons).”

“Freud saw very well those strange attractors that are condensation, displacement, ellipsis and reversibility. Forms, not values. And recent events have to be seen in terms of a theory of forms, rather than any kind of theory based on relations of force. The communist systems did not succumb to an external enemy, nor even to an internal one (had that been the case, they would have resisted), but to their own inertia; taking advantage of the opportunity, as it were, to disappear (perhaps they were weary of existing.)” “Now, this form of superconductivity of events is a marvellous one, like the form of the joke”

“The non-existence of governmental power is, admittedly, less visible in the West, on account of its great dilution and the transparency which enables it to survive. In the East, it was opaque and highly concentrated, to the point that, as with an unstable crystal, only an extra little dose was needed for it to liquefy.”

“Behind the apparent victory of the West, it is clear, on the contrary, that the strategic initiative came from the East, not by aggression this time, but by disintegration, by a kind of offensive self-liquidation, catching the whole of the West unaware. By force of circumstance, which may have equated with a perception of his own weakness, Gorbachev was able to take this strategic tack of disarmament, the real deconstruction of his own bloc, and thereby of the entire world order. This was, in a way, dying communism’s witty parting shot”

“Let us beware of the naïve vision of a frozen history suddenly awakening and automatically heading once again, like a turtle, for the sea (for democracy).” “The East gobbling up the West by blackmailing it with poverty and human rights.”

“Chernobyl whose radioactive cloud prefigured the collapse of the wall and the progressive contamination of the Western world. Bush may well disarm in the pretence of having won the Cold War, but it is the USSR and Gorbachev who invented the real bombe à depression, the surest one, the one which turns its own depression into a bomb.”

“German¹ would describe this kind of transcendent high spirits, of historical rejoicing in sudden change, as Übermut. [além-coragem; super-ânimo]” You have the Mut, you have the guts.

¹ Pode se referir a:

a) “Aleksei Yuryevich German (Russian: Алексей Юрьевич Герман, IPA: [ɐlʲɪkˈsʲej ˈjʉrʲjɪvʲɪdʑ ˈɡʲermən]; 20 July 1938 – 21 February 2013) was a Russian film director and screenwriter. In a career spanning five decades of filmmaking, German completed 6 feature films,(*) noted for his stark pessimism, long, serpentine sequence shots, black and white cinematography, overbearing sound design and acute observations of Stalinist Russia.

(*) 1967 – Sedmoy sputnik (The Seventh Companion)

1971 – Proverka na dorogakh (Trial on the Road)

1976 – Dvadtsat dney bez voyny (Twenty Days Without War)

1984 – Moy drug Ivan Lapshin (My Friend Ivan Lapshin)

1998 – Khrustalyov, mashinu! (Khrustalyov, My Car!)

2013 – Trudno byt’ bogom (Hard to Be a God) (original title History of the Arkanar Massacre)” “Trial on the Road (1971) is the film that made Alexei German famous. It was banned for 15 years and was shelved by the Ministry of Culture of the Soviet Union until its release (1986) during the Gorbachev era.”

b) Yuri Pavlovich German: “His best-known work, Ivan Lapshin (1937), was a police novel in a provincial setting whose main theme was the integration of criminals into society through order and labor. In this sense it resembles old bandit tales in which outlaws are reintegrated into society by colluding with the authorities. The novel incorporates a vision of collectivity (the policemen live in a commune), rationalism, culture, and social tranquility unperturbed by the black discord of crime. For good measure, Lapshin acts as mentor to his junior colleague. All of this is captured, with a twist, in the brilliant film version, My Friend, Ivan Lapshin made by the author’s son, Alexei German in the 1980s.”

c) “Lindsey Ann German (born 1951) is a British left-wing political activist. A founding member and convenor of the British anti-war organisation Stop the War Coalition, she was formerly a member of the Socialist Workers Party, sitting on its central committee and editor of its magazine, Socialist Review.” Obras que Baudrillard pudesse ter lido até escrever Illusion of The End: Sex, class, and socialism (1989); Why we need a revolutionary party (1989).

“Evil takes advantage of transparency (Glasnost).” eviral

“it shows through in all things when they lose their image, when they no longer offer any substance, when they become both immanent and elusive from an excess of fluidity and luminosity.”

“não será mais a violência da Idéia, mas o vírus da queda da imunidade.”

“A communism that dissolves itself is [in!] a successful communism.”

what’s after the God of the social?

O doente que não pára de enfraquecer; sem morrer. Adoecendo até as raias do absurdo. Já é um ser-doença, com um espectro de homem como parasita. Alergia assintomática. Inatestável. Imanente ao mundo dos desespecializados. Chiclete da alma. Mago do trouxa. Olhando-se no espelho? Rachaduras nos 4) encantos.

“Dissidents cannot bear a thaw. [o descongelamento] They have to die, or else become president (Walesa,¹ Havel²), in a sort of bitter revenge which, at any event, marks their death as dissidents” Lula, Mandela… Se o Lula não se tornou o establishment (não foi engolido pela Globo após um, dois, três mandatos, etc.), podemos nos considerar felizes por isso: morrerá para se eternizar como um dissidente do espectro progressista, sempiterno ícone desse projeto de país de meio-milênio!

¹ Presidente da Polônia nos anos 90.

² Caso curioso, porque foi presidente da República Tcheca, novo país, mas eleito tanto pelos cidadãos da Rep. Tcheca quanto pelos da Eslováquia, ex-território. Morreu em 2011.

“They whose strength was in silence (or censorship) are condemned to speak and be devoured by speech.” Andrei Sakharov;¹ Zinoviev.

¹ Físico nuclear que depois virou ativista pró-desarmamento – quantas camadas de ironia não há nessa sinopse? Obviamente o Ocidente vai laureá-lo com o Nobel da Paz em 1975, como não! E depois distribuir um outro prêmio anual com seu nome, como se faz sempre com heróis advindos da Cortina de Ferro (fabricados à la Tio Sam).

“Cioran: history is dying for want of paradoxes”

“Third–World War”

“For the human and ideological failure of communism by no means compromises its potency and virulence as an anthropological model. (…) stratégie du pire imposed on everyone as the last immune defense.”

“It would be the opposite of Orwell’s prediction (strangely, he has not been mentioned of late, though the collapse of Big Brother ought to have been celebrated for the record, if only for the irony of the date Orwell set for the onset of totalitarianism which turned out to be roughly that of its collapse). Even more ironic is that we are threatened by the democratic rewriting of history: the very images of Stalin and Lenin went away, streets and cities renamed, statues scattered, soon none of all that will have existed.”

“Eliminating the planet’s blackspots [ironia africana] as we might eliminate spots from a face: cosmetic surgery elevated to the level of the political, and to Olympic performance levels.”

A zona única chamada Infernéu, o Além-agora.

“Fusion always turns into confusion, contact into contamination.” “networks transmit viruses even faster than information”

“It is Dracula against Snow White (the Dracula myth is gathering strength all around as the Faustian and Promethean myths fade).” “The danger is to feed them too quickly, since this kills them.”

“We had never seen anything like this before – the strongest State and largest army in the world fainting right away.” “What should have been a source of universal rejoicing passed off almost without interest – a sign of the nullity of the age.” “The end of empires means the unrestricted reign of slave micro-systems.” “The energy of the corpse is recycled, just as Jarry had dead man pedalling”

“even the recognition of death, the intuition of that death (of the political) is impossible, since it would reintroduce a fatal virus into the virtual immortality of the transpolitical. [os mini-Estados condenados eternamente à imanência] There is the same problem with freedom: a non-violent, consensual, ecological micro-servitude, [a Gaia] which is everywhere the successor to the totalitarian oppression. [‘Seu porco estalinista, jogue esta casca de banana no lixo, seu genocida das futuras gerações!’]” Incrível que eu o tenha digitado em 25/10/16, insuspeito do genocídio (nada ecológico, é claro) que se aproximava… No momento em que digito este trecho para publicação no Seclusão, 0h15 de 6 de maio de 2023, uso máscara, uma KN95, porque sou terrivelmente alérgico a ácaros e estou remexendo em papéis velhos, onde anotei estas aspas de Baudrillard… É como reviver aqueles meses de agonia… um pouco. Comentando também sobre Stalin, quando ele definitivamente volta à baila significa: a História voltou a andar. Des-revisionismo em ação.

É preciso desistir de algo a fim de verdadeiramente alcançá-lo. (Só os grandes homens entenderão.)

“O fato de Marx ter errado o vencedor não depõe contra a exatidão da análise marxista de forma alguma, só acrescenta a ironia objetiva que faltava. O destino cuidou do assunto. Foi como se um gênio mau [evil genie] tivesse substituído um pelo outro – o comunismo pelo capitalismo – no último momento.” “Uma admirável divisão do trabalho: o Capital realizou a tarefa do Comunismo e este morreu no lugar do Capital. Mas isso pode facilmente revirar.” “Mas isso também é parte da ironia da história: a inversão do propósito final – a ilusão final.”

“O Capital canibalizou toda a energia negativa, a da história e a do trabalho, numa – literalmente – operação sarcástica (…) O que vemos diante de nós é o triunfo paródico da sociedade sem classes (…) o cozinheiro [chef] se torna chefe de Estado, ou quase (já vimos pior desde que Lenin proferiu este seu velho sonho). (…) de qualquer forma, quando o Estado deixa de ser Estado, o cozinheiro deixa de ser cozinheiro. Como Brecht disse, o fato da cerveja não ser mais cerveja é harmoniosamente compensado pelo fato do cigarro não ser mais cigarro também. Logo, a ordem irônica está salva.”

“Gorbachev is giving up Marxism! Fantastic! But what does <giving up> mean? Can you give up Marxism in the way you give up tobacco or alcohol? Can you give up your father and mother? Can you give up God? In its time, the Church has come close to giving up the Devil or the Immaculate Conception, but this has not occurred. Renunciation is the symmetrical and opposite movement to faith – as absurd and useless. If things exist, there is no use believing in them. If they do not exist, there is no use renouncing them.” “What if one day the West too were to renounce capitalism?” « Et si un jour l’Occident était forcé de ressusciter le marxisme, qui fait quand même partie du patrimoine, que diable (le Diable aussi d’ailleurs) ! »

« desimulation » pela primeira vez no autor (p. 54).

“virtual is what puts and end to all negativity”

“The highest pressure of news corresponds to the lowest pressure of events and reality [le réel].”

“only information has sovereign rights, since it controls the right to existence.”

Vingança pela quietude da alma.

“There is no worse mistake than taking the real for the real and, in that sense, the very excess of media illusion plays a vital disillusioning role. In this way news could be said to undo its own spell by its effects.” “Television and the media world render reality [le réel] dissuasive, were it not already so.”

soaking up the sulky sucking

“Saddam, who will in the end have been nothing but that fairground dummy you shot at from point-blank range, had to be saved.” Anedota: Baudrillard morreu 3 meses após Hussein.

“A TV é imunizadora.” E as redes sociais são ataques à imunidade. A predominância das redes sobre a televisão é irreversível e natural.

“the most odious Realpolitik: the Shi’ites, the Kurds, the calculated survival of Saddam…”

“The Stoics contest the very self-evidence of pain, when the body’s confusion is at its height. Here, we must contest the very self-evidence of war, when the confusion of the real is at its height.”

“In a little time it will be possible to read La guerre du Golfe n’a pas eu lieu [1991] as a science-fiction novel (…) Like Borges’ chronicling of cultures which never existed.” “Anyhow, the book has fallen – quite logically – into the same black hole as the war.” É este humor buraco negro que tanto admiro no meu ídolo Jean Baudrillard. Somos escritores-gêmeos. Não o digo para prodigalizar meu talento, mas nosso temperamento e falsa auto-depreciação são idênticos – talvez eu não saiba, mas modelei os meus nos dele, pois meu primeiro contato com sua obra foi ao redor de sua morte, quando eu chegava a meus 20.

“It was the simulacrum of Helen that was at the heart of the Trojan War. The Egyptian priests had held on to the original (we do not know what became of it) when she set out again with Paris for Troy.” “the universal form of beauty is as unreal as gold the universal form of all commodities.”

P. 66: “Dianismo” [conceito meu, Princess Diana]: o demagogismo do discurso de ajuda ao próximo, sobretudo às crianças sem pais (pais = dinheiro) do famélico Quarto Mundo. Carência alheia como atalho covarde para a fama. Espetacularização do indigentismo.

…AND REPENTANCE FOR ALL

Laras Crofts nos escombros de outras sociedades…

Lúcia Maria no Lixão com Grafites Residuais na Ilha dos Porcos-Subomens

Sebastiões Salgados, Uni-Vos!

Como é doce o som da fome e do caos!

Há CPFs e CNPJs que vivem só de “denúncia anônima”.

annihibalism

“The sacrifices we offer in return are laughable (a tornado or two, a few tiny holocausts on the roads, the odd financial sacrifice)”

“the demographic catastrophe, a veritable epidemic which we deplore each day in pictures.”

“One day it will be the Whites themselves that will give up their whiteness.”

“Because it is unable to escape it, humanity will pretend to be the author of its destiny.”

“Uma memória hipertélica que armazena todas as informações num estado constante de recuperabilidade instantânea, excluindo qualquer trabalho de luto, qualquer resolução do passado. O Inconsciente é já algo desse tipo. Ele não conhece passado nem esquecimento, não é arcaico nem arqueológico. Ele é, ao contrário, um perpétuo presente, uma instantaneidade de todos os eventos físicos, que aparecem em sua superfície em uma contínua, potencial passagem ao ato. Paradoxalmente, por conta desse zeloso esforço para trazer de volta à tona, de uma maneira forçada, o que nós mesmos nem lembramos mais, vivemos num mundo tanto sem memória como sem esquecimento. Isso é como o céu – ou o inferno – deve ser: o reconhecimento maciço, a cada momento, de todos os padrões de nossa vida. A imortalidade penitente e penitenciária, a imortalidade carcerária de uma memória implacável.”

75: ainda sobre as Lascaux “simulacra” caves.

“Quando confrontados com as pinturas nas cavernas, os povos do século XVIII não podiam acreditar nelas. Eles as viam como uma mistificação criada por libertinos para ridicularizar a Bíblia (dizia-se que as cavernas haviam sido pintadas para fazer com que os outros acreditassem numa humanidade ante-cristã).”

“Assim como com aqueles objetos de que Freud fala, que, por estarem o mais próximos dos órgãos sexuais femininos, fazem o seu papel durante as alucinações sexuais, fetichizamos fósseis e relíquias porque eles são o que há de mais parecido com nossa origem perdida e são-nos substitutos de uma possível origem.”

“Secretamente, preferimos não ser mais confrontados com o original. Tudo que queremos é o copyright.”

OS HUMANO-BACTÉRIAS: “Será que o total do futuro vai se exaurir nessa síntese artificial do passado? Quem sabe aonde este gigantesco movimento retrógrado poderá nos levar? Seria ele uma fase efêmera em nossa pós-história, e, conseqüentemente, um fenômeno cultural, ou será um desenvolvimento de significância ainda mais profunda, relacionando-se com o destino da espécie, ou até além, com oscilações de um tipo cósmico? (Com o girino, logo que o ápice da sexuação é atingido, há involução rumo a formas mais precoces de reprodução. Estaria o ser humano reinventando a clonagem biológica no ponto final de uma história sexuada?)”

Somos sou a última singularidade

logo serei inconfundível com o protótipo de último homem, que não poderá mais se reproduzir.

Que espécie de quadro irá se mover sozinho?

Estrelas continuarão estourando?

“Idealization always goes with abjection, just as charity always goes with destitution.”

A natureza vira coisa (modernidade) para depois virar sujeito (pós-modernidade) (mau sinal): não há outro; há apenas sujeitos – e, logo, logo, só sujeitos sem objetos.”

Biosphere 2, o primeiro “zoológico humano”, Arizona. Status: fracassado.

https://en.wikipedia.org/wiki/Biosphere_2

“Especially during the first year, the 8 inhabitants reported continual hunger. Calculations indicated that Biosphere 2’s farm was amongst the highest producing in the world <exceeding by more than 5x that of the most efficient agrarian communities of Indonesia, southern China, and Bangladesh’.” Ou é mentira ou realmente os americanos são obesos incuráveis…

“They consumed the same low-calorie, nutrient-dense diet that Roy Walford had studied in his research on extending lifespan through diet.” Mas faltou carne.

“The oxygen inside the facility, which began at 20.9%, fell at a steady pace and after 16 months was down to 14.5%. This is equivalent to the oxygen availability at an elevation of 4,080 metres (13,390 ft). Since some biospherians were starting to have symptoms like sleep apnea and fatigue, Walford and the medical team decided to boost oxygen with injections in January and August 1993.”

“After Biosphere 2’s first mission, extensive research and system improvements were undertaken, including sealing concrete to prevent the uptake of carbon dioxide. The second mission began on March 6, 1994, with an announced run of 10 months.”

“On April 1, 1994, a severe dispute within the management team led to the ousting of the on-site management by federal marshals serving a restraining order, and financier Ed Bass hired Steve Bannon, then-manager of the Bannon & Co. investment banking team from Beverly Hills, California, to run Space Biospheres Ventures.”

“At 3 a.m. on April 5, 1994, Abigail Alling and Mark Van Thillo, members of the first crew, allegedly vandalized the project from outside, opening one double-airlock door and 3 single door emergency exits, leaving them open for about 15 minutes. Five panes of glass were also broken. Alling later told the Chicago Tribune that she ‘considered the Biosphere to be in an emergency state … In no way was it sabotage. It was my responsibility.’ About 10% of the Biosphere’s air was exchanged with the outside during this time, according to systems analyst Donella Meadows, who received a communication from Alling saying that she and Van Thillo judged it their ethical duty to give those inside the choice of continuing with the drastically changed human experiment or leaving, as they didn’t know what the crew had been told of the new situation.”

“Mission 2 was ended prematurely on September 6, 1994. No further total system science has emerged from Biosphere 2 as the facility was changed by Columbia University from a closed ecological system to a ‘flow-through’ system where CO2 could be manipulated at desired levels. § Steve Bannon left Biosphere 2 after 2 years, but his departure was marked by an ‘abuse of process’ civil lawsuit filed against Space Biosphere Ventures by the former crew members who had broken in. Leading managers of Biosphere 2 from the original founding group stated both abusive behaviour by Bannon and others, and that the bankers’ actual goal was to destroy the experiment. During a 1996 trial, Bannon testified that he had called one of the plaintiffs, Abigail Alling, a ‘self-centered, deluded young woman’ and a ‘bimbo’. He also testified that when the woman submitted a 5-page complaint outlining safety problems at the site, he promised to shove the complaint ‘down her throat’. Bannon attributed this to ‘hard feelings and broken dreams’.”

Os fascistas estragam tudo que tocam. Descrição de Baudrillard agora: “Outside Tucson, in Arizona, right in the middle of the desert, a geodesic glass and metal structure accommodating all the planet’s climates in miniature, where 8 human beings (4 men & 4 women, of course) are to live self-sufficiently, in a closed circuit, for 2 years, in order – since we are not able to change our lives – to explore the conditions for our survival.”

“Man is also a scorpion, just as the Bororo are arara(*) and, left to himself in an expurgated universe, he becomes, himself, a scorpion.

(*) Arara is a name of Tupi origin for a bird of the genus Ara which includes the macaws (French: aras).”

Secretamos significados como o escorpião secreta seus venenos.

Segredamos significados como o escorpião secreta seus venenos.

Homem, o grande cretino.

“That is the terroristic dream of the transparency of good, which very quickly ends in its opposite, the transparency of evil. § We must not reconcile ourselves with nature.”

espaço siderreal – certamente não são Adão e Eva ressuscitando: “The elimination of all sexual reproduction: it is forbidden to reproduce in Biosphere 2; even contamination from life [le vivant] is dangerous; sexuality may spoil the experiment. Sexual difference functions only as a formal, statiscal variable [não podiam furunfar nem com camisinha?! condomnados ao celibato!] (…) if anyone drops out, a person of the same sex is substituted.” “glass coffin” coma cosmético

O GRAU 1 BILHÃO DA ESCRITURA – O SUPER-U****I – o maior filósofo se torna o mais inconseqüente dos títulos.

Como pode alguém ofender alguém de blasé a sério? Que se acredite que se ofenda alguém que nunca se ofende é um atestado de desespero.

Nada a temer em temer o nada.

“God, for his part, if he exists, does not believe in his existence, but he allows the subject to believe in it, and to believe he [god] believes in it, or [the subject] not to believe that – but not to believe he [god] does not believe in it (Stavrogin [personagem dostoievekiano, Os Demônios]).” Genial!

RESUMO LÓGICO DAS IMPLICAÇÕES DO EMPOLADO RACIOCÍNIO DE STAVROGIN E O SENTIDO DE “TUDO É PERMITIDO” NA OBRA DE DOSTOIEVSKY

1. Deus existe; Deus não acredita na própria existência; Deus permite que o homem acredite na existência de deus ou não, mas não na segunda verdade fundamental.

1.1 O homem acredita na existência de deus.

1.1.1 O homem acredita que deus acredita na própria existência.

1.1.2 O homem acredita que deus não acredita na própria existência.

1.2. O homem não acredita na existência de deus.

1.2.1 O homem acredita que deus, se existisse, acreditaria na própria existência.

1.2.2 O homem acredita que deus, se existisse, não acreditaria na própria existência.

2. Deus não existe.

2.1 O homem acredita na existência de deus.

2.1.1 O homem acredita que deus acredita na própria existência.

2.1.2 O homem acredita que deus não acredita na própria existência. Este homem na verdade é um grande ateu, pois um deus que não acredita na própria existência seria pior que a não-existência de um deus.

2.2. O homem não acredita na existência de deus.

2.2.1 O homem acredita que deus, se existisse, acreditaria na própria existência.

2.2.2 O homem acredita que deus, se existisse, não acreditaria na própria existência. Este homem é, finalmente, um grande ateu, o único ateu em sentido estrito, pois um deus que não acreditasse na própria existência, pensa ele, não deveria sequer ser pensável. Seria pior e mais absurdo que a não-existência de um deus, seria como uma confissão de não-onipotência por parte deste suposto deus.

2 conclusões:

a) As possibilidades éticas são maiores sem Deus (tudo é permitido).

b) Seria possível provar a inexistência de deus (jamais a existência)¹ ao se encontrar um só indivíduo que acredita que deus² não acredita em si próprio. É o caso do personagem da novela niilista de Dostoievsky. Seu niilismo absoluto, sua negação ultimada da realidade, não se escora no ingênuo fato de que não acredite num deus, mas que para ele, como um homem uma vez fanático e que pensou a idéia de Deus até as suas últimas conseqüências, esse deus se tornou impossível. Na percepção alcançada por Stavrogin, todos os casos são iguais, apenas ele e homens análogos a ele, um novo homem, são um outro: se Deus existe, quem acredita nele ou não são iguais; se Deus não existe, e Deus não existe, pois Stavrogin recebeu essa iluminação e nova sabedoria, ateus e crentes que acreditam que deus acredita em si próprio são iguais (inofensivos); mas ateus e crentes que acreditam que deus não acredita(ria) em si próprio, estes são niilistas radicais, os únicos ateus na verdadeira acepção da palavra. Igor Karamazov (outro romance) se questiona: Tudo é permitido?, mas Stavrogin responde, em Os Demônios.

¹ Pois todos os indivíduos precisariam respeitar as vedações em 1.1 e 1.2. Mas mesmo que todos na Terra em dado dia as respeitassem, não quereria dizer que jamais um indivíduo no passado as respeitou; e nem que nunca haverá de nascer um indivíduo que não as respeite.

² O deus existente, para o crente, ou inclusive apenas uma abstração, a hipótese de deus, de um deus que não acreditasse em si mesmo, para o não-crente.

Não exageremos a importância deste raciocínio lógico elaborado, no entanto: não podemos provar crenças (talvez apenas a nossa própria, e ainda assim podemos desconfiar de que às vezes mentimos para nós mesmos).

P. 94: “Todos esses corpos de pensamento [Stirner e seu individualismo soberano, Marx e a luta coletivista na História, Nietzsche, seu Übermensch e a transvaloração de todos os valores demasiado humanos] tiveram profundas conseqüências para o mundo – nenhum se converteu em realidade.”

“um <além> que não é aquele da religião, mas um <além> do humano que permanece dentro e com o humano (…) uma ilusão talvez, mas uma ilusão superior.” “Contrariamente à ilusão transcendental das religiões, o jogo das aparências é supra-humano”

Se a história tivesse um fim, esse fim já teria sido alcançado… Um dia me arrependerei dos meus atuais prognósticos e escreverei o livro HEIDEGGER ESTAVA CERTO? A tecnologia nos comeu sem volta. Quem dera Baudrillard estivesse errado…

“O que atualmente toma o lugar da transmutação é a transcrição da Idéia em uma operação técnica (…) O que mostra que Nietzsche, por um lado, estava certo: a raça humana, deixada a si mesma, com efeito só sabe se reduplicar e destruir.”

“fetichismo técnico (…), meramente a paródia da aceitação do seu destino, através de uma manipulação biológica que é meramente a caricatura da transvaloração dos valores.” “Desnecessário dizer, essa transvaloração de valores de que Nietzsche fala não teve lugar, exceto precisamente no sentido oposto – não para além, mas deste lado, aquém, do bem e do mal”

“Não mais uma fetichização de divindades, grandes idéias ou narrativas, mas de diferenças mínimas e de partículas. (…) As fronteiras entre o humano e o inumano estão desvanecendo, de fato, mas essa perda de nitidez se dá numa espiral rumo ao sub-humano (…) Verklärung des Untermenschen. Transfiguração do sub-homem.”

“Essa reabsorção da metáfora da vida na metástase da sobrevivência é efetuada por uma progressiva redução ao menor denominador comum.”

“Paradoxalmente, é a irrupção da biologia, i.e., da ciência da vida, que marca essa irrupção do não-vivo (…) Bem como a irrupção da psicologia marca o fim da transcendência da alma e sua suplantação por uma desconstrução analítica do mundo interior. Bem como a irrupção da ciência anatômica marca o fim do corpo e da morte como metáforas e suas entradas em cena como realidade e fatalidade biológicas.”

“Podemos ainda falar do inconsciente, dado o prospecto do homem vindo a ser definido geneticamente? Mesmo a imortalidade do inconsciente, tão cara a Freud, está sob séria ameaça.”

RELEMBRE DEDÊ (TESE, vide mais abaixo): “Não mais imortal em termos de alma, que já desapareceu, nem mesmo em termos de corpo, que está para desaparecer, mas em termos de fórmula, imortal em termos de código.”

“The trend in physics itself is towards the reduction of this interstitial void. It is the dream of that science to render matter totally concrete, to wrest all its energy from it by impelling it to limit-densities, densities artificial and monstrous.” Como congelar a luz, o novo absurdo alquímico.

“From within, a culture is immortal; it seems to approach its end in an asymptotic curve. It has, in fact, already disappeared. The elevation of a value to universality is a prelude to its becoming transparent, which itself is a prelude to its disappearance.”

“the single-handed ocean crossings, which are our modern equivalent of climbing Annapurna, [pico da cadeia de montanhas do Himalaya (circa 8000m); escalado pela primeira vez em 1950] are posthumous fantasies.”

“Peter Schlemihl had at least sold his shadow to the devil; ours we have simply lost.” “The atomic shadow, the only one left to us: not the sun’s shadow, nor even the shadows of Plato’s cave, but the shadow of the absent irradiated body, the delineation of the subject’s annihilation, of the disappearance of the original.”

Alain Ehrenberg, La fatrigue d’être soi

“the hero of subjectivity, of breaking with the old, of free will and Stirner’s radical singularity, is well and truly dead.” “This is the age of the daily invention of new particles. (…) freedom is merely the statistical end-product of impacts between singularities and no longer, therefore, in any sense a philosophical problem.”

“His [the individual of today] only aim is the technical appropriation of the self. He is a convert to the sacrificial religion of performance, efficiency, stress and time-pressure – a much fiercer liturgy than that of production – total mortification and unremitting sacrifice to the divinities of data [l’information], total exploitation of oneself by oneself, the ultimate in alienation. § No religion has ever demanded as much of the individual as such, and it might be said that radical individualism is the very form of religious fundamentalism.” “By comparison, with this voluntary holocaust, [do sujeito atomizado liberal] this escalation of sacrifice, the so-called return of religion which we pretend to fear – these occasional upsurges of religiosity or traditional fundamentalism – is negligible. It merely conceals the fundamental integrism of this consensual society (…) Religious effects are taken too seriously in their religious dimension and not seriously enough as effects, that is, as making the true process.” “each one reviving for itself, in its micro-universe, the now useless totalitarianism of the whole.”

LIVRES COMO PEIXES NÃO-CONSTRANGIDOS EM SEUS AQUÁRIOS: “Liberty operates in a field that is limited and transcendent, in the symbolic space of the subject, where he is conformed with his own finality, his own destiny, whereas liberation operates in a potentially unlimited space. It is a quasi-physical process (…) That is why liberty is a critical form, whereas liberation is a potentially catastrophic form. The former confronts the subject with his own alienation and its overcoming. The other leads to metastases, chain reactions, the disconnection of the subject. Liberation is the effective realization of the metaphor of liberty and, in this sense, it is also its end. (…) Not the free subject any longer, but the liberal individual. (…) From liberty to liberation, from liberation to liberalization. The extreme point of highest dilution, minimal intensity” “And, in the process, the concept of alienation disappears. This new, cloned, metastatic, interactive individual is not alienated any longer, but self-identical. He no longer differs from himself and is, therefore, indifferent to himself. This indifference to oneself is at the heart of the more general problem of the indifference of institutions or of the political, etc., to themselves § The indifference of time: the non-distance between points in time, the promiscuity of points in time, the instantaneousness of real time. Boredom. § The indifference of space: the televisual, remote-controlled contiguity and contamination of all points in space, which leaves you nowhere. § Political indifference: the superimposition, the proliferation of all opinions in a single media continuum. § Sexual indifference: indistinguishability and substitution of sexes as a necessary consequence of the modern theory of sex as difference.” “this identitary individual lives on the hymning and hallucinating of difference, employing to that end all the devices for simulating the other.” Certamente Baudrillard ganharia o rótulo de fascista e transfóbico pela parte “amorosa” (inofensiva, cripto-neoliberal) da esquerda de hoje. A parte <<<revolucionária>>> (com o perdão da sobreposição das aspas) da esquerda e do <<<progressismo>>>.

ESQUEÇA DEDÊ (ANTÍTESE, vide acima): “This identity syndrome has a particular form of madness specific to it. To the <free> individual, the divided subject, there corresponds the vertical madness of yesteryear: psychical madness, the transcendent madness of the schizophrenic (…) [but] horizontal madness (…) [is] autism.”

Trecho de BAUDRILLARD, Jean. The Illusion of The End (1994) e, a seguir, especulações e desdobramentos meus sobre a figura do autista que devora o seu duplo e absorve seu irmão gêmeo, seja na vida real ou na ficção, com ou sem êxito:

“[Not anymore] the delirium of the schizophrenic [personalidade cindida] but of the isophrenic, [idêntico tão-só a si mesmo] without shadow, other, transcendence or image (…) the autist who has devoured his double and absorbed his twin brother¹ (being a twin is, conversely, a form of autism à deux). (…) deprived of hereditary otherness, affected with hereditary sterility, they have no other destiny than desperately to seek out an otherness by eliminating all the Others one by one (whereas <vertical> madness [o tipo antigo da loucura, a família da esquizofrenia, formas arquetípicas do <desejo> de Gilles Deleuze & Guattari] suffered, by contrast, from a dizzying excess of otherness). The problem of Frankenstein, for example, is that he has no Other and craves otherness. This is the problem of racism.”

¹ The Black-Zamasu Syndrome! a Ou a Era Messi?b

O ANTES & DEPOIS DO “PERSONAGEM DUPLICADO” ZAMASU

a Black & Zamasu: dois lados de uma mesma moeda: Dois personagens de mangá/anime que são, no enredo, a mesma pessoa, porém provindos de universos alternativos (o que seria muito demorado explicar em suas minúcias), “um deles” mortal, um tanto impulsivo e dotado de um corpo “ágil e perfeito” (em que residiria essa agilidade e perfeição será deslindado a seguir – este mortal de que falo é chamado de “Goku Black” pelos demais personagens da trama), “outro deles” imortal, possuidor de extensos conhecimentos sobre o universo e não obstante dotado de um corpo um tanto menos versátil que o de sua contraparte espelhada (este é Zamasu, a identidade ‘original’ do ‘falso duo’). “Ambos” formam um par astuto e eficiente, pode-se dizer que “se completam” de forma platônica.

A solução final encontrada pelo(s) personagem(ns) desdobrado(s) Black-Zamasu na sua tentativa de cumprir o ambicioso propósito que persegue(m) com afinco na estória – o singelo plano da extinção da humanidade não só na Terra como em todo o universo (Ningen Zero Keikaku,(*) ‘Plano Zero Humanos’), e com humanos, nesta narrativa, não entender apenas criaturas antropomórficas, os terráqueos, mas todos os seres que a filosofia existencialista classificaria como conscientes de que um dia irão morrer dada “sua natureza meramente finita, recalcitrante e imperfeita, de pecadores natos, enfim”, como diria o vilão ou a dupla de vilões em questão –, envolve a precipitada decisão de “fundir-se consigo mesmo”, acarretando a transformação de duas entidades em uma.

(*) Acho divertida a inadvertida – cacofonia intencional – coincidência acústica que a transposição da obra para o português acaba gerando: ningen, sendo o japonês para ‘humano’, corresponde exatamente à idéia que Black-Zamasu tem/têm do homem: um zé(ro)-ninguém.

Este Narciso que conseguiu mergulhar no espelho d’água e não se afogar, este Fausto do universo ficcional de Dragon Ball, após vender a alma para chegar aonde quer, percebe tarde demais que o “diabo” (neste caso ele mesmo) o ludibriou na barganha, ao constatar que, uma vez fundido com sua cara-metade, sua principal vantagem tática na trama até aquele momento é, como num simples passe de mágica, desfeita: seu senso de cooperação com um Outro (ainda que esse outro fosse apenas ele desdobrado), sua sincronia e trabalho em equipe ideais na paciente execução de um projeto maquiavélico, acabam dando lugar a uma criatura “semi-imortal e auto-suficiente”. Ora, só que não existe a semi-imortalidade (algo intrinsecamente inútil, inferior à imortalidade) nem uma auto-suficiência genuína.

A sutil tragédia desta estória, nem sempre capturada pelo leitor/espectador, está em que a fim de chegar tão longe em seus planos diabólicos Zamasu teve de roubar o corpo do artista-marcial “perfeito”, Goku, o protagonista, que encarna o próprio sentido do humano arquetípico, cheio de defeitos, carências e tolas expectativas, dotado de uma fé cega e ingênua no futuro a despeito da certeza da morte e até de uma certa dose de despeito pelo conceito de divindade (justamente o que nos torna cônscios de nossa capacidade inerente de nos corrigirmos e nos superarmos diversas vezes ao longo de nossa curta vida), conjunto de características tão abominado pelo mesmo Zamasu. A parte “humana” de Zamasu, Goku Black, ao ser incorporada ao próprio Zamasu original, constituindo a partir daí um corpo só, desestabiliza seu Ser Eterno. Seu novo invólucro, em vez de onipotente, se revela uma falsificação, um embuste. Zamasu, o Uno, não dispõe mais da vida eterna.

E este nem é o pior de seus problemas após a fusão: logo se evidencia que, contra os humanos – raça que aprende com os erros e enquanto não perece ousa tentar outra vez, mesmo sem ter idéia do desfecho, de se seus esforços serão inúteis ou não, entregando, de qualquer maneira, tudo de si –, a própria habilidade de Zamasu, da parte do Goku Black em Zamasu, que ele tomou emprestada do corpo mortal de Goku quando uma de suas metades se transformara em Black no passado, a habilidade do contínuo e incessante auto-aperfeiçoamento pessoal, não passa de uma cópia barata da versão dos humanos autênticos dessa mesma habilidade. Zamasu, principalmente agora que contaminou sua antiga parte “humana” (parte que, reitera-se, era um mal necessário para que ele sobressaísse no combate) com traços divinos (e não o contrário: em Zamasu, é o humano que decai graças a sua metade deus, e não o inverso!), não possui a vontade e a determinação necessárias que lhe possibilitariam, em última instância, ultrapassar seus próprios limites.

Ao escolher se fundir consigo próprio, Zamasu apenas antecipou o fim do combate: se tornou um adversário facilmente vencível, incapaz de acompanhar o ritmo das proezas dos rivais e de compreender o ethos do inimigo. (Em sua cabeça, devia se perguntar: Por que eles lutam comigo, em intensa solidariedade uns com os outros o tempo todo, mesmo quando se acham em nítida desvantagem na correlação de forças? E por que eles não desistem nunca de realizar o impossível? O que faz criaturas tão frágeis e insignificantes se comportarem de maneira tão absurda e ao mesmo tempo exibirem uma invejável serenidade no olhar? Que impulso é esse que os move, que nem mesmo um deus como eu entende?!) O resultado final icônico do embate é que Black-Zamasu termina cortado em dois por um dos humanos que o antagonizam. Seu corpo imortal tinha o dom da auto-regeneração, mas sozinho não poderia vencer os humanos super-poderosos da trama fantástica. Quando se fundiu consigo mesmo, seu novo corpo semi-imortal foi aos poucos se deformando e perdendo aquela capacidade restauradora, embora ele calculasse que o ganho de poder resultante da fusão decidiria a guerra a seu favor.

Aquilo que fôra cortado pela espada de um humilde ser humano (a espada, apenas uma espada como qualquer outra, nada mais é do que o símbolo da inquebrantável perseverança dos mortais) não era bem a carne de Zamasu, a dizer verdade, mas seu espírito, sua própria essência, e este profundo ferimento metafísico se mostrou uma chaga incurável.

A evolução tremendamente satisfatória (em sua ascensão e queda) do multifacetado e secretamente atormentado Zamasu – esse Prometeu negativo, esse deus presunçoso e anti-socrático, que “não sabia que nada sabia” –, e seu estratagema cínico de forjar uma hipócrita aliança com seu duplo ou Doppelgänger, um duplo que ao mesmo tempo que imitava os seres humanos teria de ser seu principal instrumento para finalmente extingui-los, tornam este personagem, de longe, no melhor antagonista jamais apresentado por esta série shounen de lutinhas acéfalas, em que normalmente imperam a superficialidade mais boçal e os velhos clichês maniqueístas.

OBS: Deve haver uma mística ligação entre Jean Baudrillard e Dragon Ball, pois não é a primeira vez que eu associo a ambos – e ser mais distintos um do outro é impossível! – em posts do Seclusão (aqui vai a pista de uma possível explicação racional: novamente o assunto abordado se refere à ‘síndrome de deus’ de que padece o animal homem em todas as culturas conhecidas)!

Vide o contexto completo da primeira “analogia” entre aspas de Baudrillard e personagens de Dragon Ball em https://seclusao.art.blog/2021/12/20/ss-em-3-atos/.

b Lional “La Pulga” Messi: O conhecido jogador de futebol foi tachado por muitos “entendidos” de “autista” nos seus anos iniciais de carreira porque ‘se comunicava’ e ‘atuava’ de forma supostamente bizarra e muito diferente da habitual, tanto nos gramados quanto na vida privada. Diferente até de outros gênios do passado, principalmente do ícone-mor argentino, o extremamente sociável e integrado com o seu povo, extrovertido e burlesco Diego Maradona, que por muitos anos foi uma sombra na trajetória de Messi.

Vemos, num dégradé perfeito, como Lionel Messi foi se tornando, com a idade, cada vez mais e mais maradônico, seja porque assim quisemos passar a enxergar após começarmos a prestar mais atenção ou porque o meia-atacante foi se tornando, sem afetação, de modo orgânico e natural, grande e irreverente tal qual seu ídolo de infância, não só através de suas quebras rotineiras de recordes e a técnica cada vez mais precisa e apurada, como também pela maturidade com que aprendeu a chamar toda a responsabilidade e estrelato para si, aglutinando os companheiros pelo bem maior da equipe e confrontando com personalidade e malemolência os críticos e adversários, cada vez mais estupefatos e rendidos.

Messi soube se desdobrar, enquanto se movimentava como uma flecha durante os jogos, separou o Messi indivíduo comum do Messi lendário, o cidadão do mago protagonista de espetáculos, se situou num ângulo favorável, numa distância confortável, diante do espelho em que se punha a observar seu próprio Outro, que na verdade são duas coisas distintas, seus dois Outros – 1) o seu futuro como será contado pela História, que só pode ser decidido por ele mesmo; 2) e aquela antiga sombra ou reflexo pertencente ao passado, que mais parecia um destino inexorável a pesar como uma bigorna sobre as suas costas, ele, Diego Armando Maradona. Por muito tempo, no entanto, pensaram, e talvez Messi tenha pensado, que seus dois Outros eram um só: Messi é Maradona; mas se Messi não tem uma Copa, então Messi não é Maradona… então,a na realidade, Messi não é ninguém… Não!… Messi será Maradona!… contanto que… Entende-se onde quero chegar.

Os anos profissionais de um jogador de futebol passam muito mais depressa que nossa já efêmera vida. E, para Messi, sua trajetória como jogador, o capítulo mais importante de sua biografia, culminou com a decretação oficial de sua “santidade atlética”, a atribuição sem direito a controvérsia de seu status de craque atemporal, diante de toda a imprensa e da atual geração de torcedores do esporte mais popular do planeta, após a apoteótica exibição na final da Copa do Mundo de 2022, no momento em que erguia a Taça Fifa. Hoje, mesmo antes da aposentadoria, Messi já é apontado (e não apo-se-ntado, leia bem!) – e por não poucos, talvez pelos mesmos que antes tentavam explicar suas performances sobrenaturais apelando para diagnósticos clínicos! – como “melhor que Maradona” enquanto jogador e “tão influente e carismático quanto Dieguito” fora das quatro linhas, façanha notável, outrora até impensável, quando nos damos conta de que na Argentina Diego Maradona é venerado como um deus…

* * *

O MAL SOMÁTICO DA HUMANIDADE: “everything is already there, everything has already taken place. § We are thus immortal survivors, since the second existence is without end. It has no end because the end is already the beginnin.” “The process of de-humanization is complete and the clear effect of this phenomenon is that we no longer possess the psychical, ethical and spiritual resources which would enable us to realize this fact (Romain Gary).”¹

¹ wikia: “Romain Gary, 1914–1980, also known by the pen name Émile Ajar, was a French novelist, diplomat, film director, and World War II aviator. He is the only author to have won the Prix Goncourt under two names. He is considered a major writer of French literature of the second half of the 20th century.” “In a memoir published in 1981, Gary’s nephew Paul Pavlowitch claimed that Gary also produced several works under the pseudonym Émile Ajar. Gary recruited Pavlowitch to portray Ajar in public appearances, allowing Gary to remain unknown as the true producer of the Ajar works, and thus enabling him to win the 1975 Goncourt Prize, a second win in violation of the prize’s usual rules.” chad move here!

R.G., Les Racines du ciel

“Our systems are thus doubly chaotic: they operate both by exponential stability and instability.”

A DIALÉTICA DO REJUVENESCIMENTO: “Sensitivity to initial conditions should not be confused with fate or predestination.” “In predestination, the end is there before the beginning and every effort to move away from the end brings that end closer. [Édipo Rei, etc.]”

“Meteorology is chaotic; it is not a figure of destiny.”

“the destiny of simulation which one may, in effect, read as a form of catastrophe of reality, this dizzyng whirl of the model, the virtual and simulation carrying us further and further from the initial conditions of the real world”

“Chaos is a parody of any metaphysics of destiny. It is not even an avatar of such a metaphysics. The poetry of initial conditions fascinates us today, now that we no longer possess a vision of final conditions” O Ragnarok é sempre só um Big Bang.

“Destiny is the ecstatic figure of necessity. Chaos is merely the metastatic figure of Chance. [a contingência se espalhando como um câncer]”

“the hidden order of strange attractors” “Condemned to an intense metabolism” “They are condemned, precisely, to the epidemic, to the endless excrescences of the fractal [vertigo] and not to the reversibility and perfect resolution of the fateful [fatal]. We know only the signs of catastrophe now.” Não é como um eterno retorno com sentido, mas apenas um loop de arcade game de Atari…

“…definitive doom, which we could at least consume as spectacle. Just imagine the extraordinary good luck of the generation which would have the end of the world to itself.” “we came too late for the beginning.”

You live too fast, you live too soon. Apoteozzy

Ó TESOURA AMIGA!

CORTO EU A LINHA PELUDA?

April of the pigs

O universo é como um ano-novo.

“history itself has become interminable. when we speak of the <end of history>, the <end of the political>, the <end of the social>, the <end of ideologies>, none of this is true. The worse of it all is precisely that there will be no end to anything, and all these things will continue to unfold slowly, tediously, recurrently, in that hysteresis of everything which, like nails and hair, continues to grow after death.”

“homepathic end, an end distilled into all the various metastases of the refusal of death.”

“This revival of vanished forms, this attempt to escape the apocalypse of the virtual, is an utopian desire, the last of our utopian desires.” Nada será como antes.

the illusion of the end of that book

“can we not imagine that, in history itself, previous states never disappeared, but present themselves again in succession, as it were, taking advantage of the weakness or excessive complexity of the present structures?”

“The reabilitation of old frontiers, the old structures, the old elites will never have the same meaning. If, one day, the aristocracy or royalty recover their old position, they will, nonetheless, be <post-modern>.”

“Magic Country, Future World, Gothic, Hollywood itself reconstructed 50 years on in Florida, the whole of the past and the future revisited as living simulation. Walt Disney is the true hero of deep-freezing, with his utopian hope of awakening one day in the future, in a better world. But that is where the irony bites: he had not foreseen that reality and history would turn right around. And he, who expected to wake up in the year 2100, might well, following out his own fairytale scenario, awaken in 1730 or the world of the Pharaohs or any one of his primal scenes.”

“Communism will have had no historical end; it will have been sold off, knocked down like useless stock.”

“The sales used to come after the feast days but now they precede them. It’s the same with our century”

“This is like the parable of the Russian cosmonaut forgotten in space, with no one to welcome him, no one to bring him back – the sole particle of Soviet territory ironically overflying a deterritorialized Russia. Whereas on Earth everything has changed, he becomes pratically immortal and continues to circle like the gods, like the stars, like nuclear waste.”

“Nostalgia had beauty because it retained within it the presentiment of what has taken place and could take place again. It was as beautiful for never being satisfied, as was utopia for never being achieved.”

“the literal manifestness of the end”

“We are, then, unable to dream of a past or future state of things. Things are in a state which is literally definitive (…) deprived of its end. Now, the feeling which goes with a definitive state, even a paradisiac one – is melancholic.”

“there remains the completely improbable and, no doubt, unverifiable hypothesis of a poetic reversibility of events, more or less the only evidence for which is the existence of the same possibility in language.”

“Canetti diz que a vingança é supérflua; torna-se desnecessária devido à inexorável reversibilidade das coisas.”

“It isn’t just terrorists who repent. Intellectuals showed them the way, the Sartreans and others having been in the van of repentence from the 50s onwards.”

Arte total = arte mais fraca

“If nothing exists now but effects, we are in a state of total illusion (which is also that of poetic language). If the effect is in the cause or the beginning in the end, then the catastrophe is behind us. This reversing of the sign of catastrophe is the exceptional privilege of our age. It liberates us from any future catastrophe and any responsibility in that regard. The end of all anticipatory psychoses, all panic, all remorse! The lost object is behind us. We are free of the Last Judgement.” Lost Judgement

INVERSÃO CONTRA FIM: “Anastrophe versus catastrophe”

“Might we not transpose language games on to social and historical phenomena: anagrams, acrostics, spoonerisms, rhyme, strophe and cata-strophe [a estrofe que transtorna]?”

“In these times of a retroversion of history, the palindrome,¹ that poetic, rigorous form of palinode,² could serve as a grille de lecture (might it not perhaps be necessary to replace Paul Virilio’s dromology³ with a palindromology?). And the anagram, that detailed process of ravelling, that sort of poetic and non-linear convulsion of language”

¹ Frase idêntica num sentido ou noutro, como a famosa SOCORRAM-ME SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS.

² Re-citação de outro trecho do mesmo autor ou poema (quando muito grande), dentro do próprio poema.

³ A ciência da velocidade. Tão rápido que assa a virilha.

“pure materiality of time” “The illusion of our history opens on to the greatly more radical illusion of the world.” VdP, fim da exposição inicial sobre o niilismo.

“we no longer have the choice of advancing, of persevering in the present destruction, or of retreating – but only of facing up to [reconhecer, aceitar, lidar com] this radical illusion.”

Voltar é impossível. Déjà vu em extinção. E dar um passo dianteiro kantiano ainda mais difícil,

Irreverente realidade do irreal.

Presente terno,

Uma música que não sai do refrão.

That’s what life means, said a Brazilian singer and composer…

GLOSSÁRIO:

fallow: terra deixada em descanso no sistema de cultivo rotativo (também conhecida como “pousio”)

lorry: caminhão-de-lixo